Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de janeiro de 2026
Se alguma vez o banqueiro Daniel Vorcaro ou seus apoiadores tiveram a intenção de usar as redes sociais como arma para intimidar seus adversários, o efeito ao menos nesta semana foi o oposto. Praticamente houve uma unanimidade contra o proprietário do Banco Master e contra os influenciadores digitais que teriam sido arregimentados para criticar a liquidação da instituição financeira. Aparentemente, o que se observa é um fenomenal tiro no pé.
De acordo com levantamento da plataforma de monitoramento digital Torabit, houve cerca de 50 mil menções nas redes X, Threads, BlueSky, Instagram e Facebook sobre o caso Master entre os dias 7 e 12 de janeiro.
Quem procurou as redes, procurou para fazer menções negativas aos envolvidos no noticiário. Exceção apenas à Polícia Federal e ao Banco Central, muito citados de forma neutra, na repercussão de notícias ruins para Vorcaro. Uma é a de que a PF teria encontrado mensagens no celular do banqueiro em que haveria uma coordenação de ataques virtuais relacionados ao Master. A outra é a de que o BC denunciou ao Ministério Público que fundos investigados por ligação com o crime organizado teriam participado de esquemas de fraude envolvendo o banco liquidado. A Polícia Federal deste modo recebeu 6% das menções e o Banco Central, 18%.
O principal assunto das menções ao Master foi “Daniel Vorcaro”, em torno de dois eixos: a suposta contratação de milícias digitais contra o Banco Central e a sua rede de contatos no mundo político que poderia lhe proporcionar alguma blindagem. Ele foi mencionado em 21% dos casos.
Os influenciadores digitais que teriam sido recrutados para publicarem sobre o caso representam 9% das menções. Dois deles foram citados com mais ênfase: o portal “Alfinetei!” e o jornalista Luiz Bacci.
O terceiro bloco entre os alvos das publicações está relacionado ao Supremo Tribunal Federal, em especial aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Moraes é lembrado em razão de sua presença no noticiário do mês passado. Foi divulgado no início de dezembro que a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, tinha assinado um contrato de advocacia com o Master, com valores milionários. Mais para o fim do mês a colunista Malu Gaspar, do Globo, publicou que Moraes teria procurado o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para tratar da frustrada negociação de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). O ministro nega. Estão relacionadas a Moraes 8% das menções.
Toffoli é mencionado em razão de uma notícia publicada nesta semana. Foi noticiado no domingo que empresas de parentes do magistrado teriam tido vinculações com um fundo de investimento suspeito de irregularidades relacionadas ao Master. A publicação ganha repercussão porque o ministro é o relator do caso no Supremo, e em dezembro decretou sigilo sobre as investigações. Toffoli é objeto de 6% das citações em redes sociais. As críticas aos ministros do STF são catalisadas pelo clima de polarização política, em que o Supremo tornou-se um anátema para a direita no Brasil desde a condenação judicial por golpismo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A reação das redes esta semana indica que a campanha contra o Banco Central existiu, mas não só não predominou como há sinais de que foi revertida. Importante frisar que a defesa do Banco Master nega de forma enfática que tenha se envolvido em campanhas de difamação. As informações são do Valor Econômico