Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Sem apresentar provas, primeiro-ministro de Israel alega tentativa de fraude nas eleições do país

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, denunciou nesta terça-feira (27) supostas tentativas de fraude nas primeiras eleições do país desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A votação é marcada por forte polarização e comparecimento recorde nas urnas.

Netanyahu não apresentou provas de fraude. Os israelenses elegem nesta terça os 120 deputados que compõem o Knesset, como é chamado o Parlamento israelense.

A eleição ocorre após três anos de conflitos regionais desencadeados pelo atentado, em meio a questionamentos sobre a resposta de Israel e com a segurança do país no centro da campanha.

As pesquisas mais recentes indicam empate entre Netanyahu e seu principal adversário, o centrista Gadi Eisenkot, ex-comandante militar que entrou recentemente na política e tem perfil moderado.

A participação nas eleições chegou a 44,9% durante a tarde, o maior índice desde 1973, segundo dados da comissão eleitoral. Os locais de votação estavam previstos para fechar às 22h (17h de Brasília). O Likud, partido de Netanyahu, pediu a prorrogação do horário, mas a legenda de Eisenkot, o Yashar, se opôs à medida, alegando que “não ocorreu nenhum incidente excepcional” que a justificasse.

Em Israel, um partido precisa ocupar pelo menos 61 assentos na Casa para obter maioria e, então, indicar quem será o primeiro-ministro. Mas pelas pesquisas de intenção de voto, a sigla de Netanyahu teria entre 20 e 30 cadeiras, praticamente empatada com o Yashar.

Com seu futuro político em jogo, Netanyahu acusou “três dirigentes” do partido árabe Lista Árabe Unida (Ra’am) de “tentar roubar as eleições”. Os três foram detidos no sul do país com envelopes cheios de dinheiro.

As autoridades eleitorais, porém, afirmaram que eles foram detidos perto de suas casas e “ainda não haviam chegado aos locais de votação”. Segundo a comissão, trata-se de um “caso isolado” que está sob investigação.

O líder do Ra’am, Mansur Abbas, acusou Netanyahu de “mentir” e “espalhar medo” para mobilizar os eleitores de direita. Já o partido Yashar afirmou que o primeiro-ministro tenta preparar o terreno para contestar os resultados em caso de derrota.

Em Tel Aviv, a polícia também prendeu um homem armado com uma faca que se aproximou de forma ameaçadora do líder de esquerda Yair Golan.

“A incitação e a violência não vão nos intimidar”, declarou Golan em um comunicado.
A eleição ocorre em meio ao crescente isolamento internacional de Israel, provocado pela campanha militar em Gaza, pela expansão dos assentamentos e pela violência de colonos na Cisjordânia ocupada. O país também enfrenta o avanço da extrema direita e do nacionalismo religioso.

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