Sábado, 07 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de fevereiro de 2026
Enquanto avalia a possibilidade de socorrer o Banco de Brasília (BRB), o governo do Distrito Federal enfrenta um cenário de restrições fiscais, marcado por dificuldades orçamentárias, déficit nas contas públicas e escassez de recursos em caixa para quitar despesas herdadas do ano anterior e assumir novos compromissos financeiros. O contexto levanta questionamentos sobre a capacidade do Executivo local de realizar um aporte financeiro sem impactos adicionais sobre a prestação de serviços públicos.
A gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) estuda a realização de um aporte no BRB para cobrir eventuais perdas decorrentes da compra de créditos considerados de alto risco do Banco Master. A operação envolvendo esses ativos ampliou as incertezas em torno da situação financeira da instituição distrital. Segundo avaliações internas, a necessidade de socorro ao banco pode pressionar ainda mais o orçamento do Distrito Federal, levando à revisão de despesas e à adoção de medidas de contenção de gastos.
Nos últimos dias, entretanto, o governador tem reiterado publicamente que o Distrito Federal dispõe de condições financeiras para apoiar o BRB sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. A estratégia defendida pelo Executivo local passa, em parte, pelo uso do patrimônio imobiliário do governo como respaldo para eventuais operações financeiras.
“Nós temos mais de R$ 200 bilhões de ativos imobiliários. E eu assumo junto à população do Distrito Federal que nós não vamos deixar quebrar o BRB”, afirmou Ibaneis Rocha em entrevista à TV Record no dia 31 de janeiro. “Eu não sou parte do problema, mas serei parte da solução.”
Apesar do discurso oficial, dados orçamentários indicam limitações. Informações disponíveis mostram que o governo distrital já enfrenta dificuldades para cobrir despesas correntes, mesmo após o recebimento de R$ 28,41 bilhões repassados pela União por meio do Fundo Constitucional do Distrito Federal, mecanismo destinado a custear áreas como segurança pública, saúde e educação. A necessidade de recursos adicionais para o BRB ocorre, portanto, em um momento de pressão sobre as finanças locais.
Outro ponto de incerteza é a ausência de informações detalhadas sobre o tamanho do socorro necessário e sobre o plano de recomposição financeira do banco. Até o momento, o BRB não divulgou estimativas oficiais sobre o impacto da aquisição dos créditos do Banco Master nem esclareceu quais medidas pretende adotar para mitigar eventuais prejuízos.
Em nota, o BRB informou que tem prazo até o dia 31 de março para divulgar os demonstrativos financeiros referentes ao exercício de 2025, conforme o calendário regulatório. A instituição, no entanto, não comentou especificamente a situação do balanço nem a exposição das carteiras relacionadas ao Banco Master. (Com informações de O Estado de S. Paulo)