Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Senado vê tempestade perfeita para dar andamento a pedido de impeachment de Dias Toffoli

O Senado tem hoje mais de 70 pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Embora o alvo recordista seja Alexandre de Moraes, é Dias Toffoli quem enfrenta, pela primeira vez, risco real de ser cassado. Além de estar cada vez mais enrolado no caso Master, outros fatores criam a tempestade perfeita para Toffoli ser o magistrado supremo a estrear essa decisão inédita do Congresso.

Primeiramente, interlocutores das cúpulas dos três Poderes afirmam em uníssono que Toffoli “não é bem quisto”. Além disso, sua cassação abriria mais uma vaga no STF. Dessa forma, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, poderia negociar a indicação do senador Rodrigo Pacheco e garantir a aprovação de Jorge Messias para a cadeira que já está vazia.

Dias Toffoli não tem defensores ferrenhos dispostos a se contaminar para protegê-lo. Ao contrário disso, soma desconfortos ao redor. No Judiciário, o Supremo vive sua maior crise institucional em razão dos fatos que o envolvem.

Muitos parlamentares olham atravessado para o ministro. Foi ele quem inaugurou o processo de hipertrofia de poder do Supremo ao abrir de ofício o inquérito das Fake News. Sem contar que foram dele votos decisivos que desmontaram a Operação Lava-Jato.

Até tu?

O presidente Lula, que o indicou para o STF, carrega mágoa antiga. Quando estava preso, Toffoli o impediu de ir ao velório do irmão.

Recentemente, o petista também teve entrevero com o ministro em reunião sobre o caso Master. Em ano eleitoral, a desconfiança da sociedade sobre a conduta do STF, do Banco Central e da PF ajuda a oposição.

Bastidores

Não são apenas conjecturas. A ideia de ter duas vagas no STF passou a ser vista como uma possível solução para acomodar anseios de integrantes dos três Poderes: Lula encerraria a atual crise com Alcolumbre e o STF se livraria de uma mácula.

Fatores

O eventual avanço do impeachment também não seria mero mancomunado político. É a primeira vez que surgem tantos questionamentos contra um magistrado do STF, a ponto de a PF pedir a suspeição do ministro após encontrar menções ao nome dele no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

Outro lado

Toffoli confirmou que é sócio e recebeu dividendos de uma empresa que fez negócios com um fundo de investimentos ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Toffoli, porém, disse que não tem “relação de amizade” com Vorcaro e afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” pago pelo banqueiro.

Luxos

Daniel Vorcaro conversou com o presidente da CAE, senador Renan Calheiros, e marcou seu depoimento à comissão para 24 de fevereiro. No diálogo fez um pedido: viajar em voo particular fretado. Alegou questões de segurança. O senador levou a demanda ao STF e à PF. O banqueiro terá escolta e custódia garantidas.

Sala ao lado

Também no dia 24, na CPI do Crime Organizado, os senadores querem votar um convite de depoimento do ministro Dias Toffoli. “Ninguém será blindado, não importa o cargo, o poder que exerça”, disse o presidente da CPI, Fabiano Contarato. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)

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