Sábado, 22 de junho de 2024

Senador Randolfe Rodrigues anuncia sua desfiliação da Rede

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, anunciou sua saída do partido Rede Sustentabilidade, ao qual estava filiado desde 2015. Em comunicado interno a integrantes da legenda, ele informou que a decisão é em “caráter irrevogável”.

A saída de Randolfe da Rede acontece em meio a desentendimentos com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, principal nome da Rede.

O conflito mais recente diz respeito à exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. A ministra já disse que o empreendimento é “altamente impactante” e que observa o caso do mesmo jeito que olhou para a usina de Belo Monte. Randolfe, por sua vez, é a favor do projeto e usou as redes sociais para criticar parecer do Ibama contrário ao empreeendimento.

Relação tensa

Não é de hoje a má relação entre o senador e a ministra, até pouco tempo sua colega de partido. Uma das desavenças entre os dois aconteceu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidar Marina para comandar a pasta do Meio Ambiente, na época, também pleiteada por Randolfe.

Desta vez, chegou aos ouvidos do senador que a ministra teria interferido na diretoria do Ibama para que o órgão desse sua posição contrária à abertura da nova fronteira de exploração de petróleo, a chamada Margem Equatorial, nas águas profundas no norte do país.

Randolfe é favorável à exploração, que deve trazer lucros à Petrobras para os próximos anos, e reclamou que o Amapá não foi ouvido durante as negociações entre a ministra do Meio Ambiente e o Ibama. O novo episódio foi a gota d’água para que ele decidisse deixar o partido de Marina.

Ambientalistas

A abertura de novos poços de petróleo prevista no projeto da Margem Equatorial é alvo de críticas de ambientalistas que afirmam que a exploração é um risco ao ecossistema da região e às mudanças climáticas. Além disso, a redução das emissões de gases de efeito estufa foi uma das bandeiras de campanha de Lula nas eleições para presidente.

Embora contrário à decisão do Ibama, e com sua saída da Rede Sustentabilidade, o senador deverá continuar na liderança do governo no Congresso, pois foi um convite que recebeu pessoalmente do presidente Lula. Randolfe começou sua carreira política no Partido dos Trabalhadores (PT) e, antes de se filiar à Rede, fez parte do Psol. Ao que tudo indica, ele voltará ao seu partido de origem.

No pedido de desfiliação, Randolfe destacou a atuação do partido nos últimos anos e disse que a legenda “esteve ao lado dos brasileiros lutando contra o fascismo, cumpriu um papel histórico com amor, coragem e dedicação”. ‘Me honrará para sempre ter sido parte desta jornada épica”, continuou o senador. Em outro trecho, Randolfe continua: “Tenho a certeza que continuaremos juntos nas lutas por democracia, justiça e na construção de uma sociedade livre da fome e da opressão”.

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