Terça-feira, 05 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de maio de 2026
O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) deixou de ser considerado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a vaga ainda aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), após a rejeição, na semana passada, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias. A avaliação no entorno do governo é de que o nome de Pacheco não atende, neste momento, às condições políticas necessárias para a nomeação.
Inicialmente, o senador chegou a ser cogitado como uma alternativa capaz de contribuir para a recomposição da relação entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre teve papel central na articulação que resultou na rejeição de Messias pelo plenário, em uma votação que terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, representando uma derrota significativa para o governo.
Nos bastidores, pesa contra Pacheco o fato de ele ser visto como um nome com trânsito tanto junto a Alcolumbre quanto ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Integrantes do governo atribuem a esses atores influência no desfecho da votação, o que teria contribuído para o esfriamento da possibilidade de sua indicação.
Com a vaga no STF ainda em aberto, outra possibilidade que passou a ser considerada envolve a indicação de Pacheco para o Tribunal de Contas da União (TCU), movimento que dependeria de articulação liderada pelo próprio Alcolumbre. Nesse cenário, o senador poderia ocupar uma eventual vaga aberta com a saída do ministro Bruno Dantas, que, desde o fim de seu mandato na presidência do tribunal em janeiro, avalia a possibilidade de migrar para a iniciativa privada. A decisão de Dantas, no entanto, ainda não foi formalizada.
Apesar dessa alternativa, interlocutores próximos a Pacheco indicam que a ida para o TCU não é, neste momento, sua preferência. Segundo esses relatos, o senador tenderia a recusar a indicação, caso ela se concretize. Outra hipótese considerada é o retorno à iniciativa privada, com atuação na advocacia, área em que construiu sua trajetória profissional.
No campo político, Pacheco vinha sendo apontado como possível pré-candidato ao governo de Minas Gerais, com apoio do presidente Lula. Entretanto, o episódio envolvendo a rejeição de Jorge Messias trouxe novos elementos de tensão. Há avaliações de que Pacheco teria adotado uma postura ambígua: embora tenha demonstrado apoio público ao indicado, inclusive participando de agendas e registros fotográficos ao seu lado, teria, nos bastidores, se alinhado a articulações contrárias à aprovação.
A continuidade de uma eventual candidatura ao governo mineiro passa, segundo aliados, pela superação de resistências dentro de setores do Partido dos Trabalhadores (PT), que teriam atribuído parte da responsabilidade pela derrota no Senado ao senador mineiro. Além disso, há incertezas quanto à viabilidade de uma campanha em um cenário de fragmentação da base de apoio do governo no Estado. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)