Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de fevereiro de 2026
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) enviou dois requerimentos ao presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), Renan Calheiros (MDB-AL), para que as empresas de auditoria KPMG e PwC (PricewaterhouseCoopers) sejam convocadas a prestar esclarecimentos sobre os procedimentos de auditoria realizados sobre as demonstrações financeiras do Banco Master.
A KPMG examinou os números fechados do Banco Master de 2024, que foram publicados após o anúncio de venda da instituição financeira ao BRB (Banco de Brasília), em março de 2025. O evento começou a jogar luz sobre a crise da instituição. A aquisição, porém, acabou sendo rejeitada pelo Banco Central em setembro.
No relatório dos auditores, anexado ao balanço, a consultoria disse que as demonstrações financeiras “apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Banco Master S.A. em 31 de dezembro de 2024, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o semestre e exercício findos nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, aplicáveis às instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil”.
A KPMG disse que está impedida de se manifestar sobre casos envolvendo ex-clientes devido a “cláusulas de sigilo e regras da profissão”.
No caso da PwC, o site Poder360 publicou, em janeiro deste ano, que a consultoria foi contratada para fazer a auditoria do balanço do Master do primeiro semestre de 2025, mas o documento nunca foi publicado.
A consultoria negou que tenha sido contratada pelo Master. “A PwC nunca auditou o Banco Master e não teve qualquer discussão para ser auditor do Banco Master”, disse em nota.
A senadora Damares Alves quer entender por que não houve alertas prévios sobre inconsistências relevantes nas contas do Master.
“A liquidação extrajudicial do Banco Master evidenciou a existência de graves inconsistências contábeis, ativos de difícil comprovação e fragilidades relevantes na estrutura patrimonial da instituição, circunstâncias que contrastam com a emissão de pareceres de auditoria que não apontaram, de forma suficiente, riscos materiais ao mercado”, disse a parlamentar na justificativa do pedido de convocação das consultorias.
Para a senadora, a prestação de esclarecimentos das empresas é importante para entender a extensão, a profundidade e a adequação dos procedimentos técnicos empregados na auditoria das demonstrações financeiras do Banco Master. Com isso, ela quer saber a responsabilidade da KPMG e da PwC na perpetuação das práticas pela instituição financeira que resultaram em sua liquidação.
Segundo Damares Alves, a oitiva permitirá saber os critérios adotados pelas consultorias para validação dos ativos registrados, a identificação de sinais de alerta durante os trabalhos de auditoria e as razões pelas quais esses sinais não resultaram em ressalvas, ênfases ou comunicações formais aos órgãos competentes e ao mercado.
A CAE criou na semana passada um grupo de trabalho para acompanhar as investigações conduzidas em várias frentes, desde a Polícia Federal até o Banco Central, sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro. (Com informações da coluna Painel/Folha de S.Paulo)