Sábado, 30 de maio de 2026

Senadores brasileiros convocam reunião sobre facções criminosas e não descartam ida aos Estados Unidos

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso, convocou uma reunião, prevista para o dia 9 de junho, para debater os possíveis desdobramentos da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Ele não descarta uma ida aos EUA em comitiva do Senado para que os parlamentares entendam como a decisão pode beneficiar o Brasil, mas sem ferir a soberania nacional, nos moldes do que foi feito quando houve o tarifaço aos produtos brasileiros.

“Não vamos nos furtar, se houver necessidade, de fazer o mesmo procedimento: montar uma comissão pluripartidária, sem viés político, ir aos Estados Unidos e verificar exatamente quais procedimentos precisam ser tomados para que essa medida possa contribuir para o combate ao crime organizado sem ferir a soberania nacional”, declarou Trad em entrevista ao SBT News.

Segundo o senador, a ideia para a reunião é convidar representantes das partes que podem estar envolvidas no assunto, como dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, e especialistas para avaliar os efeitos da medida sobre a segurança pública, a soberania nacional e a economia brasileira.

No caso da participação da diplomacia americana, não está definido quem será convidado. O cargo de embaixador do país no Brasil está vago. Hoje, o principal nome da representação para assuntos comerciais é o encarregado de negócios dos Estados Unidos, Gabriel Escobar.

Vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou à reportagem do Estado de S. Paulo que os parlamentares precisam ouvir especialistas para entender os impactos da decisão de Donald Trump.

“Vamos trabalhar para que o Congresso ouça especialistas, autoridades de inteligência, representantes da defesa, da segurança pública, da economia e da diplomacia. Precisamos compreender todos os impactos dessa decisão”, afirmou.

A designação como terrorista das duas maiores facções de origem brasileira ocorreu após meses de gestação no governo americano e, em seguida, aos pedidos expressos do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao presidente americano.

Sem aviso

A decisão contra as facções criminosas foi comunicada pelo Departamento de Estado, em publicação do secretário Marco Rubio, aliado político da família Bolsonaro e crítico do presidente Lula. Rubio estava ciente do rechaço do governo brasileiro, mas assinou a designação, após trâmites burocráticos com o Tesouro dos EUA, responsável por aplicar sanções e congelar bens.

O governo Lula apontou os riscos e eventuais prejuízos a empresas brasileiras, uma das consequências que autoridades públicas tentaram mapear nos últimos meses. (As informações são da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo)

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