Domingo, 18 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de janeiro de 2026
A líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, espera ser eleita presidente da Venezuela “na hora certa”, declarou em entrevista a Fox News. A atual líder do país, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina após a captura e deposição do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro, mas para a rival política, ela governa sob ordens dos Estados Unidos.
“Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente”, afirmou na entrevista, gravada após seu encontro na quinta-feira (15) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
María Corina chamou a líder interina do país sul-americano, Delcy Rodríguez, de comunista e disse que Donald Trump se preocupa com a população venezuelana.
“Delcy é uma comunista. Ela é a principal aliada do regime russo e chinês. Não é o que representa a Venezuela”, afirmou.
Ela disse que saiu da reunião com Trump “muito emocionada e esperançosa pelos momentos que estão por vir”. “Estava ali representando um povo que deu sua vida pela liberdade e vai conseguir [alcançá-la] graças ao apoio do presidente Donald Trump”, afirmou.
María Corina também acusou Delcy de ter liderado a repressão a opositores do regime chavista na Venezuela e relativizou a aproximação entre a líder interina e Trump. “Neste momento, ela está apenas cumprindo ordens.”
Em uma entrevista exibida também nesta sexta pela Fox News, a opositora disse espera ser eleita presidente da Venezuela “na hora certa”. Trump, por ora, não sinaliza disposição para pressionar Caracas por uma mudança de regime.
“Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente”, disse María Corina.
Nem María Corina e nem a oposição venezuelana reconhecem os resultados das eleições presidenciais de julho de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito. Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países latino-americanos também não reconheceram o chavista como o líder democraticamente eleito da Venezuela.
Após a operação militar americana em Caracas, Trump descartou, por ora, pressionar por uma mudança de regime no país sul-americano e já manteve pelo menos uma conversa por telefone com Delcy, com quem está disposto a fortalecer os laços.
A presidente interina, que era vice-presidente de Maduro, já declarou publicamente que pretende colaborar com os EUA para manter a paz no país. Em comunicado oficial divulgado na semana passada, o novo governo venezuelano deixou claro que pretende lidar com a ação militar americana e a captura de Maduro, que classificam como “agressão e sequestro”, por meio da diplomacia.
A opositora deixou o território venezuelano com apoio dos EUA, em dezembro, para receber na Noruega o Prêmio Nobel da Paz. Ela não chegou a tempo da cerimônia de entrega, entretanto, e foi representada pela filha. Na quinta (15), durante o encontro com Trump na Casa Branca, María Corina decidiu entregar a medalha do Nobel ao presidente, num gesto descrito por ele como maravilhoso e de respeito mútuo. As informações são da Folha de S. Paulo.