Quinta-feira, 02 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de abril de 2026
O senador Sergio Moro (PL-PR) endossou o pedido de cassação do mandato da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), após declarações feitas por ela no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A parlamentar acusou o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), de estupro de vulnerável, o que motivou a reação de integrantes do Partido Liberal.
Ex-juiz da Operação Lava-Jato, Moro assinou a representação apresentada pelo PL ao Senado, que sustenta haver quebra de decoro parlamentar por parte de Soraya. No documento, o partido defende a abertura de processo disciplinar contra a senadora e, ao final, a aplicação de penalidades que podem incluir a perda do mandato.
A manifestação de Moro ocorre em meio a um histórico recente de proximidade política entre ele e Soraya Thronicke. Ambos foram filiados ao União Brasil e chegaram a atuar juntos durante o período eleitoral de 2022. Na ocasião, Soraya disputou a Presidência da República, e Moro colaborou com a formulação de propostas para o plano de governo da então candidata.
Entre as contribuições do senador paranaense esteve a elaboração de diretrizes na área de combate à corrupção, tema que marcou sua trajetória pública desde a atuação no Judiciário. Durante a campanha, os dois também participaram de gravações conjuntas para divulgação nas redes sociais, reforçando a associação política naquele momento.
O episódio que deu origem ao pedido de cassação ocorreu durante a leitura do relatório final da CPMI do INSS. Na ocasião, Soraya apresentou acusações contra Alfredo Gaspar, o que levou o Partido Liberal a reagir formalmente. A legenda argumenta que as declarações foram feitas sem a devida comprovação e que configurariam violação das normas de conduta parlamentar.
A representação protocolada pelo PL solicita que o Senado avalie a conduta da senadora à luz das regras de decoro exigidas para o exercício do mandato. O partido sustenta que a gravidade das acusações, associada à ausência de provas apresentadas no momento da fala, justificaria a adoção de medidas disciplinares.
O pedido foi encaminhado ao Conselho de Ética do Senado, órgão responsável por analisar casos dessa natureza. No entanto, como o colegiado ainda não foi instalado neste ano legislativo, a tendência é que a representação seja inicialmente apreciada pela Mesa Diretora da Casa.
Caso o processo avance, caberá às instâncias internas do Senado deliberar sobre a eventual abertura de procedimento disciplinar e, posteriormente, sobre as sanções cabíveis. Entre as possibilidades previstas estão desde advertências até a perda do mandato, conforme a avaliação sobre a gravidade dos fatos.
O Partido Liberal reafirma, na representação, o pedido para que seja instaurado o processo disciplinar e, ao final, aplicada a punição considerada adequada, podendo incluir a cassação do mandato da senadora Soraya Thronicke. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo)