Quarta-feira, 01 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de abril de 2026
O Sindicato do Comércio Atacadista do Rio Grande do Sul (Sindiatacadistas RS) iniciou novo ciclo de gestão no primeiro semestre de 2026. A diretoria, eleita em 11 de dezembro de 2025, estará à frente da entidade durante os próximos quatro anos. A cerimônia de posse foi realizada na sede da Fecomércio-RS, em Porto Alegre, no dia 20 de março.
Composto por seis sindicatos que representam diferentes segmentos do comércio atacadista do estado, o grupo promete, nesta nova fase, fortalecer-se institucionalmente, ampliando a própria representatividade no setor, bem como intensificando o diálogo com o poder público e entidades nacionais. O enfoque da entidade está direcionado às seguintes áreas: gêneros alimentícios, materiais de construção, madeiras, tecidos e vestuário, produtos químicos para a indústria e lavoura, drogas e medicamentos e atacado em geral.
Atualmente, a instituição representa cerca de 18 mil empresas e mais de 120 mil trabalhadores, desempenhando papel estratégico na economia do Rio Grande do Sul. Consciente disso, atua como elo entre indústria, distribuição e varejo, de maneira a influenciar o abastecimento e a geração de empregos no estado.
Exemplo disso é que, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista do Estado do Rio Grande do Sul, Luiz Henrique Hartmann, o Sindiatacadistas representa, hoje, 5% do PIB gaúcho. “O setor do comércio de bens e serviços já representa uma parcela de em torno de 17% da arrecadação do ICMS”, afirma o dirigente.
Cenário será delicado nos próximos meses
O início do mandato, porém, ocorre em meio a um cenário de incertezas econômicas e pressões externas. A modificação da Reforma Tributária e o contexto de guerra no Oriente Médio aparece como os principais agentes complicadores da ascensão contínua do mercado atacadista nacional e gaúcho, nos próximos meses.
“Nós estamos assumindo em um momento muito complicado. Primeiro, a modificação da Reforma Tributária, que vai fazer com que as empresas se adaptem a um novo cenário tributário. […] Também estamos enfrentando uma guerra e um provável desabastecimento, que inevitavelmente vão afetar o setor”, reflete Hartmann.
A avaliação de Roberto Luiz Weber, presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos para a Indústria e Lavoura e de Drogas e Medicamentos de Porto Alegre, vai ao encontro dessa mesma análise. O dirigente ainda aponta um terceiro fator que pode impactar negativamente o desempenho do comércio gaúcho em 2026: o percurso eleitoral.
“Nós temos uma crise mundial, temos um ano eleitoral pela frente, temos o desafio da Reforma Tributária. Então, [a partir desses] aspectos todos, nós temos que estar sempre junto às empresas, apoiando as empresas, para que elas possam ultrapassar esse período”, defende.
Outros desafios também entram no radar da nova gestão, como o endividamento das famílias e o avanço das apostas online, as chamadas “bets”. Segundo os representantes da entidade, o crescimento desse tipo de atividade tem contribuído diretamente para a inadimplência e, consequentemente, a redução do consumo.
Na percepção da diretoria, o problema já apresenta reflexos concretos no comércio. Este é o pensamento defendido pelo presidente Leonardo Ely Schreiner, do Sindicato Intermunicipal do Comércio Atacadista de Materiais de Construção, Louças, Tintas, Ferragens, Vidros Planos, Cristais, Espelhos, Agregados de Concreto, Sucata de Ferro, Ferros Planos e ferros não planos do Estado.
De acordo com ele, a migração de renda para plataformas de apostas compromete o orçamento familiar e reduz a circulação de recursos no varejo e no atacado. “O nosso comércio acaba perdendo clientes, porque gastaram e se endividaram com as despesas, com o jogo. Sem falar na desagregação familiar que acontece, e que acaba prejudicando as pessoas, o trabalhador e a própria produtividade nossa”, afirma.
A organização defende que o tema seja tratado com prioridade por autoridades e pelo setor produtivo, diante da gravidade dos impactos. “É algo a ser resolvido e ser cortado, é algo que não pode continuar”, declarou Schreiner, ao criticar iniciativas que possam incentivar esse mercado. Segundo ele, há um risco de agravamento de problemas sociais: “Incentivando as bets, ele vai estar incentivando a tristeza e o desespero de muitas pessoas”, finaliza.
Propostas e planejamentos para o futuro
Além da análise contextual em que a gestão assume o mandato, a diretoria também apresentou as propostas a serem alcançadas até 2030. Entre as prioridades estão o avanço de pautas tributárias, especialmente diante da reforma em curso, o combate à informalidade e o suporte mais amplo às empresas.
“O sindicato possui uma assessoria jurídica tributária e trabalhista muito forte para auxiliar as empresas. Nós temos uma relação muito forte com a Secretaria da Fazenda. Nós temos um trabalho que vai, também, desenvolver a parte de formalização das empresas, combate à informalidade, dentre outras coisas”, declara o presidente Luiz Henrique Hartmann.
A nova gestão também pretende ampliar a participação de jovens e mulheres, bem como investir em inovação e digitalização. “Nesta gestão, nós já atraímos alguns sindicatos que têm mais de 30% hoje de empresários e mulheres na diretoria. E estamos muito atentos à inovação, à inteligência artificial, enfim, todas essas técnicas novas, digitalização moderna e técnicas”, afirma o representante.
Com participação ativa em pautas estruturais, como o Plano Diretor de Porto Alegre, e a expectativa de fortalecimento do mercado, a diretoria vislumbra para o futuro um ciclo de avanços. Isso é o que defende o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de Porto Alegre, Carlos Cezar Schneider. “Nós estamos com as dificuldades todas colocadas, mas nós estamos dispostos, estamos aqui. As diretorias estão integradas”, afirmou, reforçando o tom otimista: “O desafio está feito. Nós estamos trabalhando para isso e esperamos ter sucesso”, finaliza.