Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de fevereiro de 2026
Mais duas pessoas prestaram depoimento ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na investigação que apura denúncias contra o desembargador Magid Láuar. Com os novos relatos, sobe para quatro o número de possíveis vítimas que afirmam ter sido vítimas de abuso pelo magistrado.
Magid Nauef Láuar foi relator de um julgamento que absolveu um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12. O desembargador entendeu que o réu e a vítima tinham um “vínculo afetivo consensual” e derrubou a sentença de primeira instância que havia condenado o suspeito a nove anos e quatro meses de prisão.
No julgamento, o desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo acompanhou o relator, e os dois formaram maioria na 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) pela absolvição. A desembargadora Kárin Emmerich votou de forma divergente.
Depoimentos
Os depoimentos foram realizados por vídeo e integram o procedimento em curso no CNJ. As denúncias vieram à tona após a repercussão nacional de um caso envolvendo um homem de 35 anos que mantinha relacionamento com uma menina de 12 anos, julgamento que gerou forte comoção pública.
Duas das acusações foram feitas em postagens nas redes sociais. Uma por um primo do desembargador, Saulo Láuar, que afirmou ter sido vítima de uma tentativa de abuso sexual quando tinha 14 anos e estar revivendo essa dor. “Meu corpo está tenso, dolorido e a garganta entalada. Cada detalhe do fato retomou seu lugar, como se tivesse acontecido ontem”, relatou em seu perfil.
Outro relato foi feito por uma ex-funcionária.
Procurado, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o desembargador não irá se manifestar sobre as acusações. O tribunal também declarou que instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos.
Segundo o TJMG, caso as denúncias sejam comprovadas, o magistrado poderá sofrer as penalidades previstas na legislação. O andamento da apuração segue sob responsabilidade dos órgãos competentes.
Nova decisão
Na quarta-feira (25), Magid Nauef acatou recurso do Ministério Público e reverteu a absolvição do homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável. A menina de 12 anos está sob a guarda legal do pai.
Em decisão monocrática, ele suspendeu o acórdão anterior, de sua relatoria, que havia absolvido o réu de condenação em primeira instância. Horas depois, a prisão foi efetuada.
No documento, Láuar indica arrependimento. “Infelizmente, foi necessário um caso de minha relatoria para expor um recorrente entendimento adotado pelo Poder Judiciário: desconsiderar a realidade social e os avanços teóricos sobre perspectiva de gênero”, argumentou.
Para especialistas, porém, todas as decisões de Láuar estão sob risco. Ele teria atuado irregularmente ao anular de forma monocrática uma deliberação coletiva.
(Com informações do g1 e Folha de S. Paulo)