Quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de fevereiro de 2026
Um dos sócios dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli afirmou que há desvios nas obras e na gestão do resort Tayayá Porto Rico. A acusação é baseada em uma auditoria que apontou a ausência de comprovação de até R$ 100 milhões em despesas. O empreendimento classifica a denúncia como “inverídica” e “caluniosa”.
O resort, que fica às margens do Rio Paraná, é fruto de uma sociedade que teve em seus quadros empresas do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, e dos irmãos do ministro, o padre José Carlos Dias Toffoli e o engenheiro José Eugênio Dias Toffoli. Trata-se de um empreendimento que já vendeu mais de R$ 200 milhões em cotas de casas e apartamentos.
A denúncia afirma que os supostos desvios ocorreram a partir de junho de 2023. A empresa gerida pelos irmãos Toffoli teve ações do resort desde sua criação, em 2021, até fevereiro de 2025. A empresa de Ratinho participou da fundação e se retirou do projeto em maio de 2024.
Foi em outra unidade, em Ribeirão Claro, que a empresa dirigida pelos irmãos do ministro foi sócia e chegou a vender uma fatia milionária de sua participação para um fundo de investimentos controlado pelo pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli é relator das investigações da Polícia Federal sobre o banco.
O denunciante é o empresário João Roberto Viotto, que detém 18% da empresa responsável pelo resort em Porto Rico e atuou como presidente por três anos, até 2023.
Viotto ingressou com uma ação de produção de provas antecipadas na Justiça do Paraná em setembro de 2025, por meio da qual pede que o Banco Central, a Receita Federal e o Coaf encaminhem extratos bancários, histórico detalhado de movimentações financeiras e outros documentos.
Ele recuou e desistiu da ação dias depois, antes que o juiz se manifestasse sobre os pedidos. O Estadão apurou que se trata de uma manobra de sua defesa, que quer mover o mesmo processo novamente, para cair com outro juiz. Em nota, o empresário indicou que vai levar as evidências que já foram anexados naquele processo à Polícia Federal porque, em tese, as condutas podem configurar crimes contra a ordem tributária e o Sistema Financeiro Nacional.
O resort é um empreendimento privado, sem dinheiro público envolvido. Em casos como esse, de desvios na esfera privada, investigadores apuram crimes como apropriação indébita e furto do caixa da empresa.
O personagem central da denúncia de Viotto é o empresário Patrick Ferro, que preside o Tayayá Porto Rico desde o ano passado. No processo na Justiça paranaense, o Tayayá Porto Rico disse que as acusações são inverídicas e caluniosas.
“São motivadas por uma agressiva tentativa de tomada da administração da companhia, da qual aquele foi afastado justamente por uma série de atividades suspeitas, desvio de finalidade, conflito de interesses e atos extremamente lesivos à empresa”, disse o resort na ação.
Pontos
A nota de Viotto cita três pontos que ele considera merecer investigação das autoridades: movimentações financeiras sem lastro, pendências com a Receita Federal – impostos recolhidos e não pagos – e proteção ao investidor, pois 620 famílias já teriam investido no negócio por meio da compra de cotas das casas e apartamentos.
“A auditoria apontou saídas de recursos do caixa da sociedade sem a devida comprovação documental (notas fiscais ou contratos), incluindo repasses expressivos a empresas terceiras sem evidência de contraprestação de serviços, o que requer investigação técnica para rastreamento do destino final dos valores”, disse a nota encaminhada pela JJ Capital, empresa por meio da qual o empresário é sócio do resort. (Com informações de O Estado de S.Paulo)