Quinta-feira, 26 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de março de 2026
Ao solicitar referendo dos colegas da decisão que prorrogou a CPMI do INSS, o ministro André Mendonça acabou aplicando involuntário “xeque-mate” no xadrez político em que se transformou o Supremo Tribunal Federal (STF). A maioria tem interesse em neutralizar o Congresso como instância investigadora e zero interesse em desapontar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, única autoridade com a prerrogativa de decidir sobre abertura de processos de impeachment de… ministros do STF.
Serviços prestados
Na pressão contra Mendonça, aliados lembram os serviços prestados por Alcolumbre como engavetador-geral de pedidos de impeachment.
Como o diabo da cruz
Alcolumbre quer o fim da CPMI que tenta investigar seu ex-chefe de gabinete por receber R$3 milhões do esquema que roubou aposentados.
E o precedente?
A maioria não quer a CPMI, mas para isso terá de jogar no lixo o próprio precedente: o STF apoiou a liminar de Barroso criando a CPMI da Covid.
Aos amigos, tudo
O STF já mudou de ideia pelo interesse político, como quando recuou da após condenação em 2ª instância e nas descondenações na Lava Lato.
Projeto da licença-paternidade oculta ‘cavalo de troia’
O projeto de lei complementar (PLP) 77/2026, aprovado a toque de caixa pelo Senado esta semana, foi vendido como projeto para “garantir a licença-paternidade”, mas na verdade serve principalmente para conceder benefícios fiscais às áreas de livre comércio da região Norte, incluindo as de Macapá e Santana (AP), no estado do autor do projeto e líder do governo Lula no Senado, Randolfe Rodrigues (PT), além de Estado natal do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).
Vapt-vupt
O projeto foi apresentado por Randolfe na terça (24). Na quarta (25) já havia sido aprovado no plenário do Senado.
Noves fora
Na prática, o projeto suspende regras fiscais que o Congresso aprovou em 2025, como exigir estudo prévio para a concessão de benefício fiscal.
Jabuticaba
O projeto também concede benefício ao setor de reciclagem. A licença paternidade figura em só um artigo da lei, que segue para a Câmara.
Torta de climão
O PSD planejou oficializar logo cedo Ronaldo Caiado como nome do partido ao Planalto e virar a notícia do dia, ontem (25). Esqueceram de combinar com o governador gaúcho Eduardo Leite, que, em reunião com a cúpula do partido, bateu o pé para se manter na disputa.
Bazucando o pé
Flávio Bolsonaro avalizou a destituição do bem avaliado prefeito de Maceió, JHC, do comando do PL. Além de haver garantido a única derrota de Lula em uma capital do Nordeste, JHC era a certeza de vitória contra o clã Calheiros. Que não para de comemorar a crise no PL.
Gaspar no PL
O PL de Alagoas tem novo presidente: o deputado Alfredo Gaspar, que ganhou holofote nacional pelo trabalho como relator da CPMI do INSS. Gaspar estava no União Brasil desde 2022, agora é do PL.
Alento
Marcel van Hattem (Novo-RS) comemorou a sanção da lei antifacção com sua emenda que proíbe o voto de presos provisórios. “Um motivo pra gente comemorar: bandidos não vão mais decidir as eleições”, disse.
Só protelação
Pré-candidatura de Cláudio Castro ao Senado incomoda nomes do PL que também querem o posto. Avaliam que a condenação de Castro no TSE vai acabar com um eventual mandato.
Sabotador
É clara para Eduardo Girão (Novo-CE) a razão pela qual Davi Alcolumbre (União-AP) não prorrogou a CPMI do INSS; a “sabotagem”, diz o senador, é por “conflito de interesses” do presidente do Senado.
Dedos e anéis
Sem petistas na disputa pelo governo de Minas Gerais, o PT tenta ao menos emplacar uma das vagas para o Senado, na eventual chapa do MDB ou PSB. A preferida é Marília Campos, prefeita de Contagem (MG).
Olhar de fora
Sobre a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, o advogado da Trump Media nos EUA, Martin De Luca, avaliou que o ministro do STF Alexandre de Moraes “percebeu para onde as coisas estão caminhando e não quer ser responsabilizado caso aconteça algo” com o ex-presidente.
Pergunta na decisão
Humanidade pode ser temporária?
PODER SEM PUDOR
Assinatura que vale
José Maria Alkmim, enquanto secretário de Educação de Israel Pinheiro, em Minas Gerais, tinha técnica. Nomeou uma jovem para um importante departamento. A pedido dela, ele fez uma portaria que provocou grandes problemas políticos. Alkmim quis rever a decisão e a moça não gostou:
– Com relação a isto, eu permaneço absolutamente irredutível.
– Olha bem, minha jovem – respondeu Alkmim, com doçura – A senhora pode ser intransigente com a sua assinatura. Com a minha, não.
(Com Rodrigo Vilela e Tiago Vasconcelos – Instagram: @diariodopoder)