Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Subir escada na academia e na vida real: quais as diferenças? Saiba qual traz mais benefícios

Subir escadas é um movimento cotidiano que, quando incorporado ao treino, se transforma em um exercício extremamente eficiente para melhorar o condicionamento físico, fortalecer pernas e glúteos e elevar o gasto energético. Mas, afinal: há diferença entre subir a escadaria de um prédio e usar o simulador disponível na academia?

Embora ambos reproduzam o mesmo padrão de movimento, especialistas explicam que há distinções biomecânicas e fisiológicas importantes que influenciam o tipo de esforço, os músculos recrutados e até o impacto nas articulações.

Lucas Florêncio, especialista técnico da rede de academias Smart Fit, explica que o exercício feito na escada real envolve um componente maior de estabilização e equilíbrio, devido à superfície e velocidade não uniformes. “O praticante precisa gerar força para subir e, simultaneamente, controlar o centro de massa”, descreve. Por isso, além dos grandes grupos musculares (como quadríceps, glúteos, isquiotibiais e panturrilhas), há maior ativação de músculos estabilizadores do tronco e do quadril.

Já no simulador, o padrão é mais estável. “O movimento é mais controlado e rítmico, com uma superfície de apoio que se move (degraus) e auxílio de barras laterais em alguns casos, reduzindo a demanda por equilíbrio e diminuindo o trabalho.

Em relação à fisiologia, o esforço de subir escadas reais muitas vezes é realizado em curtos picos de alta intensidade, devido a aspectos como degraus irregulares, variações de velocidade e término da subida. Para Florêncio, esse padrão torna a atividade parecida com um treino intervalado, especialmente se a pessoa subir rápido. No simulador, por outro lado, é possível manter a mesma velocidade por longos períodos, facilitando a manutenção de uma frequência cardíaca alvo ou um ritmo constante para um treino aeróbico contínuo.

Em termos de gasto calórico, ambos os exercícios são bastante eficientes. “Subir escadas pode gerar um gasto energético superior ao da caminhada, porque exige elevar o centro de massa contra a gravidade”, ensina Florêncio. “São excelentes ferramentas para melhorar a capacidade cardiorrespiratória, aumentar a resistência e fortalecer o miocárdio (músculo cardíaco)”, completa.

Simulador é mais previsível

Segundo Bruno Moreira Silva, professor no departamento de Fisiologia da Escola de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o simulador tende a oferecer mais resultados pelo tempo dedicado exclusivamente à fase de subida. “O simulador permite fazer o exercício continuamente, enquanto subir escadas reais envolveria interrupções entre diferentes lances ou para voltar ao ponto de início de uma escadaria pequena”, pontua.

Do ponto de vista articular, há particularidades importantes entre as duas versões da atividade. A subida, tanto real quanto no simulador, é considerada de baixo impacto, mas ainda assim gera carga sobre joelhos, tornozelos e quadris. “No simulador, essa carga é mais previsível e suave, especialmente em equipamentos modernos, que permitem ajustar a resistência. Já na escada real, o impacto depende do tipo de degrau, da altura do passo e do controle postural”, detalha o ortopedista Eduardo Vasconcelos, da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE).

Portanto, para pessoas com artrose de joelho ou sobrepeso, o médico diz que o simulador costuma ser mais indicado, porque permite um movimento mais fluido e com menor estresse articular.

Vasconcelos explica ainda que as diferenças de estabilidade influenciam o tipo de estímulo recebido pelo corpo. “Na escada real, há maior exigência de coordenação, equilíbrio e propriocepção, já que o corpo precisa se adaptar às variações do ambiente e sustentar o próprio peso em movimento”, diz. Esse aspecto funcional é muito positivo, especialmente para quem busca melhorar desempenho em atividades cotidianas ou esportivas. “Já o simulador permite maior controle da intensidade e da carga, o que o torna mais seguro e previsível, ideal para treinos cardiovasculares contínuos, reabilitação e para quem tem alguma limitação articular”, completa.

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