Domingo, 18 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de janeiro de 2026
Cientistas do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, descobriram duas vantagens dos chamados “superidosos”, pessoas com 80 anos ou mais cuja função cognitiva é superior à de indivíduos com 20 ou 30 anos a menos.
No estudo, publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia, eles analisaram dados de 18.080 idosos, participantes de oito pesquisas nacionais de envelhecimento dos Estados Unidos que compõem o Alzheimer’s Disease Sequencing Project Phenotype Harmonization Consortium.
Como resultado, identificaram que os “superidosos” apresentavam 68% menos chance de carregar uma mutação no gene APOE (Apolipoproteína E) chamada de APOE-ε4, a mais ligada ao risco de Alzheimer, do que os pacientes com demência. Alguém com duas variantes APOE-ε4, por exemplo, tem de 8 a 12 vezes mais chances de desenvolver a doença.
De forma mais notável, esses “superidosos” tiveram 19% menos chance de portar essa mutação genética do que os participantes considerados cognitivamente normais da mesma faixa etária nas pesquisas. Para Leslie Gaynor, professora de Medicina na Divisão de Geriatria da universidade, que liderou o estudo, esse é foi o achado mais marcante:
“Embora todos os adultos que chegam aos 80 anos sem receber um diagnóstico de demência clínica apresentem um envelhecimento excepcional, nosso estudo sugere que o fenótipo de ‘superidoso’ pode ser usado para identificar um grupo particularmente excepcional de idosos muito longevos, com risco genético reduzido para a doença de Alzheimer”, diz em comunicado.
A segunda descoberta é que o grupo de idosos que envelheceram melhor apresentaram 103% mais chance de carregar uma outra mutação no mesmo gene, chamada de APOE-ε2, que confere uma proteção contra o Alzheimer. Em relação aos participantes cognitivamente normais, os “superidosos” ainda tiveram 28% mais chance de portar a mutação.
No estudo, o status de “superidoso” foi classificado como pessoas com 80 anos ou mais cujo desempenho de memória ficou acima da média observada entre participantes cognitivamente normais com idades entre 50 e 64 anos. O estudo incluiu múltiplos grupos raciais e étnicos.
“Com o crescente interesse nos ‘superidosos’, nossos achados reforçam de forma significativa a visão de que esse fenótipo será útil na busca contínua por mecanismos que conferem resiliência à doença de Alzheimer”, afirma Leslie.
Segundo a pesquisadora, esse foi “de longe” o maior estudo já publicado a identificar uma relação entre a frequência da mutação APOE-ε4 e o status de “superidoso”, e o primeiro a encontrar uma associação com a mutação APOE-ε2.
“Esperamos que esses achados estimulem ainda mais o interesse em questões sobre como essas variantes podem influenciar o desenvolvimento da demência clínica por Alzheimer, bem como o fenótipo de ‘superidoso’ de forma mais ampla”, complementa. (Com informações do jornal O Globo)