Quinta-feira, 12 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de março de 2026
O clima está ruim, e ninguém sabe qual o caminho para sair da crise. Hoje, essa avaliação é a única unanimidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Sobre todo o resto, a Corte se dividiu na nova temporada do escândalo do Banco Master.
Mesmo com o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos investigados, a dimensão financeira do caso ficou em segundo plano. O foco foi deslocado para o impacto político e institucional das revelações, com consequências para a dinâmica interna do Supremo.
Alexandre de Moraes perdeu apoio no Judiciário, mas aliados ainda não soltaram a mão dele. O time de Moraes no Supremo viu com preocupação as trocas de mensagem com Daniel Vorcaro, mas observa o desenrolar dos fatos com cautela. Lembra que o conteúdo das conversas não foi revelado e, por isso, evita julgamento precipitado.
Esse grupo também avalia que o presidente, Edson Fachin, deveria se ocupar mais da defesa institucional do tribunal em meio à crise. Nos últimos dias, a desconexão entre a demanda de parte do Supremo e o comportamento de Fachin ficou visível.
Há duas semanas, Gilmar Mendes aproveitou o aniversário do tribunal para discursar em defesa da Corte. No plenário, lembrou o papel do tribunal em momentos cruciais para a democracia. Não mencionou os tropeços recentes de colegas.
Na terça-feira, 10, Fachin recomendou em discurso que o juiz se distancie dos interesses em jogo nos processos. No mesmo dia, Flávio Dino disse na sessão da Primeira Turma que o STF acerta muito mais do que erra. Reforçou a ideia em postagem no Instagram: “Muito mais mesmo”. Para ele, muitos ataques sofridos pelo tribunal são motivados por “vinganças, ódios e interesses”.
Ou seja: o grupo ligado a Moraes está mais preocupado com a defesa do tribunal de ataques externos do que com eventuais desacertos do colega.
Na outra ponta, ministros mais alinhados com Fachin consideram graves os indícios de que Moraes conversou com Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro. Ainda mais no contexto do contrato milionário que a advogada Viviane de Moraes, casada com o ministro, mantém com o Banco Master.
A chance de Moraes sofrer alguma consequência prática é remota por ora. A Polícia Federal não juntou ao processo que tramita no STF nada sobre ele. Também não há no Congresso Nacional clima para abertura de uma CPI para investigar a conduta dele, ou para a instauração de processos de impeachment contra membros do Supremo.
Nos últimos dias, Fachin procurou os colegas para conversar sobre a crise. Não apresentou uma saída nem ouviu grandes ideias dos ministros. A ordem é aguardar as próximas revelações para se pensar uma estratégia. (Análise por Carolina Brígido/O Estado de S. Paulo)