Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de janeiro de 2026
Três anos após os atos extremistas de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) já condenou mais de 800 acusados de participação na tentativa de golpe de Estado no País.
Os números foram apurados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados à tentativa de golpe. A PGR (Procuradoria-Geral da República) protocolou 1.734 ações penais no STF relativas à tentaiva de golpe.
As acusações foram divididas entre incitadores, executores e quatro núcleos principais que pretendiam manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.
Núcleos
O STF condenou 29 réus à prisão dos quatro núcleos principais da tentativa de golpe. Somente dois foram absolvidos por falta de provas: o general de Exército Estevam Theófilo, que foi denunciado no núcleo 3, e o delegado de carreira da PF e ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça Fernando de Sousa Oliveira, réu do núcleo 2.
Até o momento, somente os réus do núcleo 1, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus, tiveram as condenações executadas. Os demais núcleos ainda estão em fase de recurso.
As condenações ocorreram pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Para julgar os quatro núcleos, ao longo de quatro meses, foram realizadas 21 sessões pela Primeira Turma, colegiado responsável pelo julgamento.
O núcleo 5 é formado pelo réu Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura João Figueiredo. O jornalista mora nos Estados Unidos e não há previsão para o julgamento.
Incitadores e executores
A maioria dos condenados faz parte do grupo de incitadores e executores dos atos extremistas. Nesse grupo, 810 condenações foram registradas, sendo 395 por organização criminosa, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito e golpe de Estado e 415 por incitação à prática de crime e associação criminosa, delitos considerados mais leves.
Entre os condenados desse grupo está a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. Em abril de 2025, ela foi sentenciada a 14 anos de prisão por escrever com batom a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, localizada em frente à sede do STF. Atualmente, Débora cumpre prisão domiciliar.
Acordos
Até o momento, o STF homologou mais de 560 acordos de não persecução penal. Os acordos foram propostos pela PGR a investigados que estavam em frente ao quartel do Exército, em Brasília, e não participaram dos atos de depredação do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo.
Com a homologação, os réus deverão prestar serviços à comunidade e pagar multas que variam entre R$ 1 mil e R$ 5 mil. Eles também estão proibidos de usar as redes sociais e devem participar de um curso sobre o tema Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado. Em troca, não serão processados.
Indenizações
Todos os acusados também terão que pagar solidariamente R$ 30 milhões, no total, pelos danos causados pela depredação.