Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de janeiro de 2026
O veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria de penas, resultado de acordo na Câmara e no Senado, irritou lideranças, inclusive da base do governo, e estimulou a retomada do debate da anistia. Em resposta ao veto, ontem o senador Esperidião Amin (PP-SC) apresentou um projeto de anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro. A nova proposta, explica o senador Amin, é voltada para um perdão amplo e irrestrito, conforme defendido por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro:
“Acabo de dar entrada no projeto de lei da anistia aos condenados pelo inquérito que apurou os fatos do dia 8 de janeiro. Mesmo sendo relator no Senado, eu nunca aceitei que o projeto da dosimetria fosse a resposta correta”, disse o senador Esperidião Amin.
Congresso vai derrubar veto ao projeto da dosimetria
O projeto da dosimetria, vetado ontem pelo presidente Lula em ato político que assinalou o terceiro aniversário do suposto golpe, vai ser derrubado pelo Congresso Nacional. O projeto beneficia, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a impressionantes 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. Bolsonaro teria a pena reduzida para 20 anos, com diminuição do tempo de regime fechado para dois anos e quatro meses.
O próprio relator da proposta na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), anunciou que já deu início a entendimentos com as bancadas para derrubar o veto ao projeto que, segundo ele, foi “construído com diálogo e responsabilidade”. Para derrubar o veto, é preciso o voto de 257 deputados e 41 senadores, em sessão conjunta. Se isso ocorrer, a proposta entra em vigor.
Vem aí má notícia para aposentados do INSS
Não bastasse a roubalheira sofrida nos últimos anos com os golpes dos descontos associativos e dos consignados falsos, com a evidente conivência de membros do governo, o estoque de más notícias ainda não terminou para os aposentados. Nesta sexta-feira, o governo federal anuncia o índice de reajuste para aposentados que recebem acima de um salário mínimo. A julgar pelo que aconteceu no ano passado, mais uma vez, por razões de economia, o governo deverá anunciar um índice inferior ao reajuste aplicado ao benefício do salário mínimo.
No ano passado, o reajuste do salário mínimo foi de 7,5%, e o reajuste para quem se aposentou com mais de um salário foi de 4,77%.
Este ano, o reajuste do salário mínimo alcançou 6,79%. Fica evidente que o reajuste a ser anunciado hoje será inferior a esse índice.
Saída apressada do ministro Lewandowski da Justiça
A saída apressada do ministro Ricardo Lewandowski do governo teria a ver com a carga pesada que a CPMI do INSS vai trazer na reabertura do Congresso, com ênfase nas suspeitas envolvendo Lulinha, filho do presidente Lula. Como ministro da Justiça, Lewandowski certamente seria chamado para prestar informações sobre a investigação da Polícia Federal.
O que a PF descobriu sobre Lulinha
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que apura citações a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, realizadas no âmbito do inquérito sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em uma representação revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo jornal O Globo, a PF diz que o filho de Lula “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, apontado como o pivô do esquema.
Um gaúcho poderá comandar o Ministério da Justiça
Dois gaúchos são especulados para substituir Ricardo Lewandowski no comando da pasta da Justiça. O nome mais forte é o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, natural de Pelotas. Por fora, corre o nome do ex-governador Tarso Genro, que já comandou a pasta da Justiça no segundo mandato de Lula.
Pompeo de Mattos: são quatro pedidos de CPI do Caso Master
O deputado federal Pompeo de Mattos (PDT) confirma que assinou todos os requerimentos para a criação da CPI do Banco Master, somando quatro assinaturas. A revelação pode surpreender. Mas, na realidade, existem quatro requerimentos com o mesmo propósito: são os pedidos dos deputados Rodrigo Rollemberg e Marcos Pollon e os requerimentos de Carlos Jordy e Heloísa Helena. O primeiro a completar o número mínimo de assinaturas foi o requerimento do deputado Carlos Jordy (PL-RJ).
Pompeo destaca que “investigar denúncias e possíveis irregularidades é dever do Congresso. Transparência e responsabilidade com o interesse público não são opção”.
Brasil vai doar 100 toneladas de medicamentos à Venezuela
Em um ato de solidariedade à população da Venezuela, o Brasil enviará 100 toneladas de medicamentos e insumos de saúde ao país vizinho, que teve estruturas de saúde destruídas pelo ataque bélico no último sábado, informa o Ministério da Saúde, em nota ao jornalista Flávio Pereira. Para apoiar o cuidado a 16 mil pacientes venezuelanos que precisam de tratamento de hemodiálise, o Ministério da Saúde enviará, na manhã desta sexta-feira (9), as primeiras 40 toneladas de insumos médico-hospitalares. Essas pessoas correm risco de vida se não tiverem a continuidade do tratamento a que se submetiam antes da destruição do maior centro de distribuição de medicamentos e insumos daquele país.
“Essa doação não afeta a estrutura e a assistência dos cerca de 170 mil pacientes que realizam diálise atualmente no Sistema Único de Saúde. Temos estoques seguros no Brasil e podemos ser solidários com o país vizinho. Não podemos esquecer que, durante a pandemia da Covid-19, a Venezuela nos disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento dos nossos cidadãos, diante de uma crise por uma má gestão do governo passado”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
* Flavio Pereira (IG: @flaviorrpereira)