Domingo, 25 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de janeiro de 2026
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou a incorporação da terapia imunobiológica Dupixent (dupilumabe) para o tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) grave em pacientes adultos com perfil exacerbador, associada à inflamação tipo 2, caracterizada por níveis elevados de eosinófilos no sangue, em uso de terapia tripla inalatória.
“Essa é uma doença que mata cem pessoas por dia no Brasil, sendo a quinta causa de morte no país e a terceira no mundo. Depois de mais de 20 anos sem inovação para o tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica grave, essa incorporação representa uma nova esperança de vida para muitas pessoas. A decisão reforça nosso compromisso com evidências científicas, participação social e cuidado sustentável”, declarou a diretora de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Lenise Secchin.
Um dos pressupostos da decisão de incorporação foi desconto oferecido pelo laboratório que produz o medicamento, que valerá não somente para o tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica grave, mas se estenderá a todas as condições de saúde para as quais o Dupilumabe já está incorporado no rol. Para tanto, de forma inédita, a detentora da tecnologia vai assinar um termo de compromisso com a ANS se comprometendo a garantir o desconto oferecido.
Novo protocolo
O Ministério da Saúde publicou novas regras de atendimento para tentar diminuir os casos graves, internações e mortes. Em 2024, o SUS fez quase 22 milhões de atendimentos por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, oito vezes mais que em 2015, início da série histórica.
A ideia é que com as novas diretrizes mais testes sejam realizados e mais pacientes sejam precocemente diagnosticados. Desse jeito o tratamento também pode começar antes que a doença se agrave e comprometa ainda mais a função do pulmão.
Segundo a pneumologista Helen Coutinho. a DPOC é uma doença muito subdiagnosticada. “No Brasil a gente tem mais de 70% dos pacientes são portadores, convivem com a DPOC e não tem diagnóstico. Então esse paciente já vem com o pior prognóstico, a gente vai iniciar uma terapia com a doença que já evoluiu”.
O novo protocolo também prevê o uso e a distribuição gratuita de um novo tipo de bombinha, que combina 3 medicamentos – como explica o médico da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Roberto Stirbulov.
“Hoje o que há de mais moderno para o tratamento da DPOC. É o que a gente chama de tripla terapia e o SUS incorporou a tripla terapia no mesmo dispositivo”, explica Stirbulov.
O secretário de atenção especial do Ministério da Saúde, Mozart Salles, diz que é mais fácil de usar – e, por isso, mais eficaz. “Consegue controlar a doença porque consegue impedir o seu progresso de maneira demasiada. Então a gente tá muito otimista de que esse novo protocolo vai gerar uma adesão expressiva”, afirmou.