Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de janeiro de 2026
Os Estados Unidos suspenderam a emissão de vistos de imigração para cidadãos de países considerados de “alto risco para uso de benefícios públicos”, como parte de uma revisão mais ampla de suas políticas migratórias. A medida havia sido anunciada no dia 14, causando surpresa e frustração.
“Foi como uma bomba atômica no peito”. Assim o consultor financeiro Pedro Zava, de 43 anos, descreveu o impacto da notícia. A medida entrou em vigor nessa quarta-feira (21). Com um processo migratório em andamento desde 2023, ele teme que a decisão do governo americano coloque em risco o plano de morar no país com a esposa e três filhos.
A medida não afeta vistos de turismo nem outros vistos temporários, como de estudo, trabalho provisório ou negócios. Além do Brasil, a lista inclui países como Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen, entre outros.
Em nota, o governo americano afirmou que a decisão reflete a posição do presidente Donald Trump de que imigrantes “devem ser financeiramente autossuficientes e não representar um fardo financeiro para os americanos”.
O texto também diz que a revisão busca impedir que imigrantes utilizem programas de assistência social ou se tornem um “encargo público”.
“Estamos trabalhando para garantir que a generosidade do povo americano não seja mais explorada. O governo Trump sempre colocará os Estados Unidos em primeiro lugar”, diz publicação do Departamento de Estado dos EUA nas redes sociais.
A favor
O brasileiro Pedro Zava vê com simpatia a política migratória mais rígida defendida pelo governo republicano. “Avalio positivamente, por incrível que pareça”, afirma.
“Quero estar nos Estados Unidos porque compreendo que o americano exerce bem a ideia de soberania nacional, de entender America First [a América em primeiro lugar] e de olhar para as cadeias produtivas de forma mais meritocrática. Não vou me sentir injustiçado e vou compreender a decisão deles. Mas vou ficar muito triste.”
Na avaliação dele, governos de políticos do Partido Democrata foram menos rigorosos com o tema da imigração.
“Isso acabou prejudicando profissionais qualificados, como eu, que tentam fazer tudo da forma correta. Vejo o movimento atual justamente como um efeito chicote do que aconteceu no passado, de abertura de fronteiras”, analisa.
Ele acredita que a tendência seja priorizar imigrantes com alta qualificação. “Imagino que a peneira vai ficar mais correta. Quem eles escolherem vai ser escolhido com mais critério. Tenho fé nisso.”
O governo dos EUA, no entanto, ainda não abriu nenhuma exceção neste sentido.
Até o momento, segundo uma porta-voz do Departamento de Estado em entrevista à BBC News Brasil, não há expectativa de revisão da inclusão do Brasil no grupo de países afetados e não estão previstas exceções, nem mesmo para solicitantes que possam comprovar ter recursos financeiros para se manter no país.
Política migratória
A nova determinação do Departamento de Estado representa um endurecimento ainda maior da posição do presidente republicano em relação aos migrantes, durante seu segundo mandato.
Entre outras medidas, Trump procurou realizar deportações em massa de migrantes que entraram no país ilegalmente, reduzir drasticamente o número de refugiados e eliminar os direitos à cidadania automática que se aplicam atualmente a quase todos os nascidos em território americano.
O governo também promove um endurecimento das ações de fiscalização por meio do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). Como consequência, aumentaram os episódios violentos envolvendo agentes da organização.
A medida ocorre em meio a uma crise no Estado de Minnesota, após a morte de Renee Nicole Good, uma mulher de 37 anos, por um agente do ICE em Minneapolis. O episódio que desencadeou uma onda de protestos em todo o país.
Michael Valverde, consultor estratégico da D4U Immigration e ex-diretor da agência de imigração dos Estados Unidos (USCIS), avalia que a decisão tem menos relação com riscos imediatos à segurança nacional e mais com compromissos políticos assumidos por Trump.
“Cerca de um terço de toda a imigração legal permanente para os Estados Unidos está hoje impactada por algum tipo de bloqueio ou congelamento. Essas ações refletem promessas de campanha do presidente de restringir a imigração para o país”, avalia.
“Pesquisas mostram que, embora os americanos não apoiem uma imigração sem restrições, a maioria também não endossa políticas extremamente rígidas. Diante disso, é provável que o próximo presidente adote uma postura mais moderada e busque levar a política migratória americana de volta a um ponto de equilíbrio”, completou Valverde. As informações são da BBC Brasil.