Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Tarcísio diz que será candidato à reeleição em São Paulo e anuncia visita a Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou ser pré-candidato à reeleição ao governo do estado e negou especulações sobre outros planos eleitorais.

Em uma publicação nas redes sociais, ele escreveu:

“Sou candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira para prestar o meu total apoio e solidariedade.”

A declaração ocorre em meio a rumores sobre uma eventual candidatura de Tarcísio à Presidência da República em 2026, hipótese ventilada por aliados do bolsonarismo nos bastidores. Na terça (20), Tarcísio havia adiado a visita a Bolsonaro na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília, prevista para esta quinta.

Segundo informações do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio pediu que o encontro previsto para ocorrer na próxima quinta (22) fosse adiado devido a “cumprimento de compromissos em São Paulo”. A visita havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorreria entre 8h e 10h.

Tarcísio decidiu adiar a visita após declarações do senador Flávio Bolsonaro ao jornal O Globo, nas quais afirmou que o governador deveria aproveitar a conversa com o pai para garantir apoio explícito à sua pré-candidatura presidencial e comunicar, de forma definitiva, a decisão de disputar a reeleição em São Paulo.

Nos bastidores, fontes do Palácio dos Bandeirantes avaliam que a ausência de compromissos públicos funcionou como um recado à família Bolsonaro. Interlocutores afirmam que Tarcísio ficou desconfortável com a pressão pública para declarar apoio explícito à pré-candidatura de Flávio ao Planalto, sobretudo via redes sociais.

Pessoas próximas ao governador relatam que a visita teria inicialmente o objetivo de prestar solidariedade pessoal a Bolsonaro e tratar dos próximos passos para viabilizar a transferência do ex-presidente para prisão domiciliar. Segundo relatos, o cancelamento ocorreu após a declaração do “01” de que a conversa poderia ser usada para “enquadrar” politicamente o governador.

O adiamento da visita também aprofundou o racha interno na direita, que passou a adotar diferentes tons em meio ao receio de inviabilizar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. O cancelamento do encontro foi interpretado pelo núcleo mais próximo a Bolsonaro como um gesto de distanciamento, reacendendo disputas públicas e nos bastidores sobre quem deve liderar o campo conservador em 2026, em oposição à candidatura de Lula à reeleição.

Flávio Bolsonaro chegou a dizer que o encontro serviria para reforçar ao governador a orientação de disputar a reeleição em São Paulo, o que teria irritado Tarcísio.

Nesta quinta (22), o ex-vereador Carlos Bolsonaro publicou nas redes sociais um apelo à união e ao amadurecimento, afirmando que o foco da família está na recuperação de Bolsonaro e defendendo coesão para garantir mudanças políticas. Ele destacou que “o mais importante não é ter razão, mas garantir que o povo participe cada vez mais da construção daquilo que deseja”.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, buscou reduzir a tensão, elogiou Tarcísio e afirmou que o conflito com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, surgiu de uma frase tirada de contexto, cobrando união da centro-direita contra o PT. Em tom mais duro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro disse que Tarcísio “não tem a opção” de se contrapor à candidatura do irmão Flávio.

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