Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de janeiro de 2026
A nove meses das eleições presidenciais, o quadro delineado por levantamentos de intenção de voto indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto. De acordo com essas pesquisas, o principal concorrente no momento é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como o adversário mais competitivo no campo da oposição. Ainda assim, esse cenário não tem sido suficiente para afastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da corrida presidencial.
Dentro do próprio PL, há divergências sobre a estratégia adotada pelo parlamentar. Uma ala do partido classifica a decisão de Flávio de manter a candidatura como “teimosia”, avaliação que reflete a percepção de que o senador enfrenta dificuldades para se consolidar como o principal nome da oposição. Apesar disso, dirigentes e interlocutores de siglas da centro-direita, como PSD, MDB e União Brasil, apontam razões específicas para a insistência do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa.
Segundo esses representantes, três fatores pesam de forma decisiva. O primeiro seria conter o avanço político da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, cujo nome vem sendo mencionado em discussões internas do campo conservador. O segundo objetivo atribuído à candidatura de Flávio é evitar que Tarcísio de Freitas se afaste do bolsonarismo, mantendo vínculos claros com esse eleitorado. Por fim, a presença do senador na corrida eleitoral também seria uma forma de preservar o protagonismo da família Bolsonaro no cenário político nacional.
Pesquisa divulgada pela plataforma de jornalismo Meio, em parceria com o Instituto Ideia, reforça a vantagem de Lula sobre os demais concorrentes. O levantamento aponta o presidente à frente de todos os adversários tanto nas simulações de primeiro quanto de segundo turno. A única exceção ocorre no confronto direto com Tarcísio de Freitas, em que há empate técnico dentro da margem de erro na segunda rodada.
Integrantes de setores econômicos e do Centrão, que acompanham pesquisas de maneira contínua, avaliam que Flávio Bolsonaro tende a consolidar crescimento gradual nas intenções de voto. Na leitura desses grupos, esse movimento tornaria cada vez mais complexa a possibilidade de um recuo do senador ao longo da campanha, mesmo diante de pressões internas e externas.
Flávio Bolsonaro tem afirmado que pretende buscar apoio no centro político e ampliar alianças para além da base bolsonarista tradicional. No entanto, aliados reconhecem que o sobrenome Bolsonaro atua como um fator de forte associação ao eleitorado mais radicalizado. Essa característica ficou evidente quando o senador sinalizou a possibilidade de indicar o irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para o cargo de chanceler em um eventual governo. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)