Domingo, 05 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de julho de 2026
O som do apito final e a explosão de alegria na cobrança do último pênalti contra a Alemanha coroaram uma das campanhas mais heroicas da história da Copa do Mundo. Mesmo depois de cair para a França, o Paraguai mostrou que determinação tática e pragmatismo estratégico conseguem derrubar gigantes. Curiosamente, a resiliência paraguaia em campo não foi construída de forma isolada: o time contou com o talento providencial de jogadores “importados”.
Fora das quatro linhas, no tablado do desenvolvimento industrial, o Paraguai repete a jogada ensaiada. O país opera um milagre econômico silencioso, atraindo um fluxo massivo de cérebros, capitais e fábricas brasileiras que cruzam a fronteira em busca de um ecossistema mais saudável, estável e livre para prosperar.
Essa transformação ganhou tração inédita com o governo de Santiago Peña. Sob uma firme postura de liberdade econômica, desregulamentação e desburocratização, o Paraguai posicionou-se como o porto seguro do capital privado na América do Sul. O segredo reside na simplicidade e estabilidade das regras. Enquanto o Brasil patina, o país vizinho oferece o modelo “Triplo 10”: 10% de Imposto de Renda Empresarial, 10% de Imposto de Renda Pessoal e 10% de IVA.
Além disso, a Lei de Maquila garante segurança fiscal por até vinte anos e permite que indústrias importem componentes com imposto suspenso, processem no país e reexportem pagando apenas 1% sobre o valor agregado. Simulações mostram que essa engenharia tributária permite obter um lucro até 150% maior no Paraguai em comparação ao complexo ambiente brasileiro.
Além disso, a aliança estratégica com Taiwan converteu fidelidade geopolítica em investimentos tecnológicos, trazendo parques de semicondutores e ônibus elétricos. Na energia, a gestão da cota excedente de Itaipu garante eletricidade até 60% mais barata ao setor manufatureiro.
No quesito mão de obra, a flexibilidade regulatória esmaga o engessamento da legislação brasileira. O custo de um funcionário formalizado é de 30% a 40% menor do que sob a CLT. A jornada padrão paraguaia é de 48 horas semanais, gerando 416 horas adicionais por ano — cerca de 52 dias úteis de vantagem competitiva anual por trabalhador.
Diante desse ecossistema, o Brasil assiste a um êxodo industrial sem precedentes. Desde 2007, 232 empresas brasileiras migraram para lá via maquila, representando 70% do parque multinacional instalado e transferindo mais de 25.000 empregos diretos. As dez maiores maquiladoras brasileiras geraram US$ 1,3 bilhão em exportações e aportes que superam US$ 182 milhões. No setor têxtil, 89 indústrias já operam além-fronteira, pois produzir no Brasil, onde a burocracia consome até 90% do custo, tornou-se inviável. Até multinacionais transferiram centros administrativos de São Paulo para Assunção.
O diagnóstico é claro e doloroso: enquanto o Paraguai abraça a liberdade econômica com inteligência rumo ao futuro, o Brasil insiste em fórmulas arcaicas, assistindo suas empresas marcarem gols na concorrência, mas vestindo o fardamento do nosso vizinho.
Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.