Quarta-feira, 06 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de maio de 2026
A Secretaria Estadual da Saúde (SES) e o Departamento de Regulação Estadual (DRE) do Rio Grande do Sul colocaram em funcionamento um serviço de telemedicina pediátrica. Por meio da ferramenta, uma equipe médica especialmente preparada orienta à distância outros profissionais em hospitais de menor porte, postos de pronto atendimento e unidades de terapia intensiva (UTI) com crianças internadas.
Durante abril, médicos e técnicos foram treinados para realizarem atendimento qualificado por meio dessa ferramenta. A iniciativa integra o programa “Inverno Gaúcho com Saúde”, antecipado nesta ano para dar conta do período crítico de circulação de vírus respiratórios.
O primeiro serviço de telemedicina da SES foi implantado em 2022, na área da pediatria, durante os meses de inverno. Na época, médicos intensivistas pediátricos atuavam como suporte remoto para equipes de emergência em hospitais sem UTI pediátrica, auxiliando no atendimento de crianças em estado crítico.
Em 2024 e 2025, o programa foi ampliado, passando a atender também equipes de UTIs neonatais e enfermarias pediátricas, e a fortalecer a assistência especializada à distância. A titular da SES, Lisiane Fagundes, ressalta:
“Os médicos do programa de telemedicina pediátrica avaliam e revisam todos os cadastros de crianças que aguardam leitos ou transferências no Estado, e que normalmente estão em UTIs neonatais, pediátricas ou enfermarias. Um desses profissionais então entra em contato para orientar o manejo e até auxiliar na escolha do medicamento mais adequado. A simples orientação, em muitos casos, é capaz de evitar transferência para hospitais mais distantes”.
Ampliação de leitos
O reforço da infraestrutura de saúde para enfrentar o aumento de internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no outono e no inverno prevê a ativação de 604 leitos estaduais, sendo 417 de suporte ventilatório e 187 de UTI. Também serão disponibilizados 1.277 leitos federais, dos quais 833 de suporte ventilatório e 444 de UTI.
São leitos financiados com recurso estadual e que receberão diária de R$ 2,3 mil, ao passo que os leitos habilitados pelo governo federal contarão com um complemento de R$ 300 feito pelo Estado. O valor é acrescido aos R$ 2 mil destinados pela União, garantindo maior sustentabilidade financeira aos hospitais e ampliação da capacidade de resposta neste período crítico.
A secretária complementa: “Teremos mais de 1,8 mil novos leitos em hospitais de todo o Estado, para dar conta desse aumento natural de demanda nas estações mais frias. Com recursos estaduais, abriremos 70 leitos a mais em relação ao ano passado. Sobre os leitos de habilitação federal, o aumento é ainda maior, com acréscimo de 175 leitos de UTI e 505 de suporte ventilatório”.
Emergência em saúde
No dia 29 de abril, o governador Eduardo Leite decretou estado de emergência em saúde pública em todo o território gaúcho para que fosse possível solicitar ao Ministério da Saúde a habilitação dos leitos de UTI adulto e pediátrico.
O decreto considerou a análise de indicadores epidemiológicos que apontam aumento significativo na circulação de vírus respiratórios, com impacto direto na demanda por serviços de saúde, especialmente na rede pediátrica, onde há crescimento contínuo das filas de espera em emergências. O cenário também eleva o risco de saturação do Sistema Único de Saúde e reforça a necessidade de investimento na Atenção Primária.
Como parte das ações do “Inverno Gaúcho com Saúde”, o governo gaúcho realizou em abril o repasse de R$ 7,5 milhões aos 497 municípios gaúchos para o fortalecimento da Atenção Primária. Entre as ações em andamento, estão a ampliação do horário de atendimento das unidades básicas de saúde, abertura delas nos finais de semana, contratação de profissionais, reforço de insumos, busca ativa de não vacinados e intensificação das estratégias de imunização.
Tal investimento contempla, ainda, ações de prevenção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), incluindo vacinação de gestantes e imunização passiva com nirsevimabe, com prioridade para crianças prematuras e/ou com comorbidades.
(Marcello Campos)