Domingo, 15 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de março de 2026
O Brasil volta a disputar o principal prêmio do cinema mundial neste domingo (15). O filme “O Agente Secreto” concorre ao Oscar com quatro indicações e tem chamado atenção de plateias internacionais ao retratar aspectos da cultura, da política e da história brasileira. A produção, dirigida por Kleber Mendonça Filho e estrelada por Wagner Moura, integra a lista de indicados em um momento considerado significativo para o cinema nacional, ao ampliar a visibilidade de produções brasileiras no circuito internacional.
Em meio a uma agenda intensa de entrevistas e compromissos promocionais pelo mundo, o diretor Kleber Mendonça Filho e o ator Wagner Moura receberam o Globo Repórter em Londres para uma conversa exclusiva. Durante a entrevista, os dois falaram sobre a repercussão do filme fora do Brasil, o processo de criação da história e a forma como elementos culturais do país aparecem na narrativa.
Segundo Moura, o interesse internacional pelo filme mostra como o cinema pode funcionar como uma ponte cultural entre diferentes países e públicos. Para ele, as histórias contadas nas telas têm o poder de influenciar a forma como sociedades inteiras são percebidas por espectadores que vivem em outras partes do mundo.
“Eu cresci vendo cinema americano. Então, meu entendimento do que os Estados Unidos são tem a ver com os filmes que eu vi. Tem sido muito bonito ver as pessoas falando do Brasil a partir desse filme, desde o que era a ditadura militar no Brasil até ‘a perna cabeluda’. São dados da cultura e da história do Brasil sendo exportados. ”, afirmou o ator.
A produção reúne referências locais e, ao mesmo tempo, tem conquistado espaço fora do país. A história ambientada em Recife coloca a capital pernambucana no centro da narrativa e ajuda a projetar paisagens brasileiras no circuito internacional do cinema. Ao situar a trama na cidade, o filme apresenta não apenas cenários conhecidos da região, mas também elementos do cotidiano que ajudam a compor o universo retratado na tela.
Para Kleber Mendonça Filho, contar histórias a partir da própria realidade é essencial para que um país se reconheça nas telas. Segundo o diretor, produções audiovisuais têm um papel importante na construção da memória cultural e na representação da diversidade de experiências de uma sociedade.
“O cinema, a televisão e as séries são uma maneira muito forte de contar histórias. É essencial que um país consiga se ver, se ouvir e reconhecer histórias que fazem parte de quem somos”, disse o diretor.
No filme, Recife não aparece apenas como cenário, mas como parte central da trama. A narrativa destaca contrastes sociais da cidade, como a proximidade entre áreas periféricas e prédios de luxo, elemento que também ajuda a construir o contexto em que os personagens se movimentam ao longo da história.
“Eu sou fã do cinema dos filmes que fazem a gente mergulhar naquele universo e acreditar que a gente mora nele. E, para o ator, é um barato estar ali. num senso de realidade muito potente”, comentou o ator.