Quinta-feira, 12 de março de 2026

Tendência de skincare minimalista troca rotinas longas por estratégia e ciência

Depois de anos marcados por rotinas extensas, impulsionadas principalmente pela K-beauty, o skincare entra em uma nova fase: menos etapas, mais precisão. O skinimalismo 2.0 vai além da estética de maquiagem leve e se consolida como uma abordagem dermatológica baseada em ciência. A proposta é simples: reduzir excessos, preservar a barreira da pele e investir em fórmulas multifuncionais.

Segundo a dermatologista Mariana Scribel, a mudança responde aos efeitos do chamado over skincare. “Nos últimos anos, vimos um aumento de pacientes com sensibilidade, rosácea e dermatites irritativas relacionadas ao uso excessivo de ativos. A pele tem limite. Mais produto não significa mais resultado”, afirma a especialista.

O Brasil é o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), e o segmento de skincare está entre os que mais crescem. A nova lógica do skinimalismo combina três pilares: eficácia comprovada, multifuncionalidade e redução de etapas.

O movimento também reflete mudanças comportamentais. Consumidores mais jovens, principalmente da Geração Z, priorizam praticidade, sustentabilidade e coerência no consumo. Menos frascos significam menor impacto ambiental e menor risco de combinações inadequadas de ativos. “Existe uma busca por equilíbrio. Os pacientes querem entender o que realmente faz diferença na saúde da pele”, comenta Scribel.

Para a dermatologista, a base de qualquer rotina eficaz é a manutenção da barreira cutânea, estrutura responsável por proteger contra agressões externas e evitar perda de água. “Sem barreira íntegra, nenhum ativo anti-idade ou clareador terá desempenho ideal. Muitas vezes, retirar produtos é o que melhora o quadro clínico”, explica.

Especialista indica a rotina básica ideal

Segundo Scribel, simplificar a rotina de cuidados não significa abandonar tratamentos. “Skinimalismo não é negligência. É estratégia. Em quadros clínicos específicos, protocolos personalizados continuam fundamentais”, alerta. “A tendência aponta para um futuro em que a beleza se aproxima cada vez mais da dermatologia baseada em evidência: menos exagero, mais precisão”, afirma.

Para a especialista, uma rotina eficiente, alinhada ao skinimalismo 2.0, deve priorizar higienização suave adequada ao tipo de pele, seguida de hidratação com ativos reparadores, como ceramidas ou pantenol, e a aplicação de protetor solar com FPS adequado durante o dia. À noite, a limpeza deve ser repetida, seguida de hidratação e, quando indicado, o uso de um único ativo direcionado, como retinol, ácidos para acne ou antioxidantes.

“A pele responde melhor à constância do que ao excesso. Não é a quantidade de produtos que traz resultado, mas a escolha correta e o uso consistente. Protocolos podem variar conforme idade, fototipo e condições específicas como melasma, acne ou rosácea”, finaliza.

Sobre a médica:

Dra. Mariana Scribel é médica graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com pós-graduação em Dermatologia pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Possui especialização em tratamento capilar realizada na clínica do Dr. Alex Ginzburg, em Raanana (Israel), e fellowship na mesma área no Mount Sinai Hospital, em Nova York (EUA). Também realizou traineeship na Clínica de Tricologia Dr. Ralph Trueb, em Zurique (Suíça). É CEO da Clínica Scribel, em Pelotas, referência em dermatologia e tricologia médica no RS.

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