Quarta-feira, 23 de julho de 2025

Testemunha de ex-diretor-geral diz que a Polícia Rodoviária Federal identificou materialidade, mas não autoria de blitze

Testemunha arrolada pela defesa do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na ação da trama golpista, o agente Alexandre dos Santos Lopes afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (21) que havia “materialidade” quanto a um possível policiamento ilegal no padrão das blitze realizadas pela PRF no segundo turno das eleições.

Lopes, porém, disse não ser possível atribuir essas operações a ordens de Vasques. O agente atuou na investigação instaurada pela PRF para apurar eventuais irregularidades no policiamento da corporação durante as eleições.

“A partir dessa análise e de depoimentos colhidos, identificamos inconsistências em relação aos números operacionais apresentados em cinco estados. Pará, Maranhão, Santa Catarina, Sergipe e algum outro do Nordeste. (…) Identificamos uma trilha de materialidade, mas não de autoria. Não havia elementos para apontar autoria com segurança, nem para afastar autoria de qualquer servidor”, disse Santos Lopes. Ele diz ter parado de acompanhar o caso após a Controladoria-Geral da União ter chamado para si a investigação do caso.

A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Silvinei menciona uma ação coordenada entre a cúpula do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a direção da PRF para dificultar o voto de eleitores em municípios em que Lula era favorito no segundo turno, em especial na região Nordeste.

Além de Santos Lopes, foram ouvidas na manhã desta segunda-feira outras 11 testemunhas arroladas pela defesa do ex-diretor-geral da PRF na gestão de Bolsonaro. Em sua maioria, agentes da PRF que exerceram cargos de liderança durante a gestão de Vasques, dez testemunhas negaram que tenha havido direcionamento do policiamento para impedir o voto de eleitores de Lula no segundo turno das eleições de 2022.

A PGR afirma que uma reunião em 19 de outubro de 2022 com a participação de Vasques, integrantes do Ministério da Justiça e as cúpulas da PF e da PRF, foi feita “para tratar do policiamento direcionado, a ser posto em execução quando do segundo turno das eleições de 2022”. A denúncia cita os depoimentos de três policiais rodoviários federais, os quais relataram que durante a reunião Vasques “disse que ‘era hora de escolherem um lado’” na disputa eleitoral.

Ao menos cinco das testemunhas arroladas pela defesa de Silvinei Vasques teriam participado da referida reunião e negaram que Vasques tenha solicitado um direcionamento da PRF. São eles: Anderson da Silva Costa, ex-chefe de operações da PRF no Rio Grande do Norte; Antonio Vital de Moraes Junior, ex-superintendente da PRF em Pernambuco; Antonio Ramirez Lorenzo, ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça; e Diego Joaquim de Moura Patriota, ex-superintendente da PRF no Pará.

Patriota, ex-superintententes da PRF no Pará, afirmou que vídeos sobre supostos direcionamentos de blitz policial referentes a um veículo não procedem. — O veículo foi abordado e liberado em menos de 15 minutos. Todos os passageiros seguiram — disse.

Ainda na manhã desta segunda-feira, o STF ouviu também o diplomata André Chermont, ex-chefe do cerimonial da Presidência em 2022. Chermont disse que Filipe Martins não estava na lista final de passageiros da delegação que acompanhou o ex-presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos e que não embarcou nessa viagem.

Martins chegou a ser preso preventivamente em razão da suspeita de ter fugido para os Estados Unidos. Sua defesa sempre negou que ele viajara aos EUA na comitiva de Bolsonaro e apresentou dados de geolocalização de seu celular fornecidos pelo aplicativo Uber e pela operadora de telefonia celular Tim, mostrando que ele esteve no Paraná e em Brasília, no final de 2022.

(Com informações do jornal O Globo)

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