Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de agosto de 2026
A Polícia Civil gaúcha prendeu preventivamente nessa quinta-feira (27) uma tia de Samylle Valentina Borba Ramiro, 4 anos, morta por agressões na casa onde morava, na Zona Norte de Porto Alegre, em 18 de agosto. Ela é acusada de omissão no incidente (protagonizado por seu companheiro), pois percebeu que a sobrinha não estava bem e, mesmo assim, esperou três horas até levá-la a uma unidade de pronto atendimento na Zona Leste). Tarde demais.
A mulher tem 22 anos e está sujeita a responder judicialmente por homicídio qualificado. O tio da menina, por sua vez, está preso desde o dia 20. Em depoimento, ele alegou ter aplicado “palmadas” na criança, que residia com ele e a esposa há pelo menos dois meses.
Exames do Instituto-Geral de Perícias (IGP) apontaram que Samylle morreu devido a politraumatismo. Não é possível saber, no entanto, se todas as lesões foram decorrentes de agressões ou se por outros motivos. A apuração do caso prossegue, com expectativa de conclusão na próxima semana.
Relembre os detalhes
Na noite de 18 de agosto, um domingo, o casal levou a sobrinha – já sem vida – a uma UPA no bairro Bom Jesus. A presença de manchas roxas pelo corpo motivou a equipe médica a seguir protocolo de acionamento a Brigada Militar (BM) nesse tipo de situação, mas a dupla fugiu antes da chegada dos policiais.
A tia da garota relatou que, ao chegar em casa após o trabalho, já encontrou Samylle com lesões. Ela então questionou o companheiro sobre o fato e os dois tiveram uma discussão. Mais tarde, notou que a criança expelia pela boca algo parecido com espuma, como se estivesse sob convulsão. Foi quando o casal buscou atendimento médico.
A Polícia Civil também ouviu a mãe da garota, que mencionou dificuldades financeiras como justificativa para não criar ultimamente a menina e sua irmã, de 9 anos, após se separar do companheiro. A primogênita foi então morar com o pai, enquanto Samylle passou aos cuidados de uma amiga residente na mesma rua.
Por meio de um termo de responsabilidade emitido em julho, o Conselho Tutelar concedeu tutela provisória à tia, que estaria em tratativas para obter a guarda definitiva. A mãe da criança afirma que, ultimamente, vinha sendo impedida de visitar a filha.
Os avós maternos da vítima, por sua vez, informaram que a menina apresentava ferimentos quando esteve com a família no Dia dos Pais. Na ocasião, eles ouviram dos tios da criança a explicação de que os machucados se deviam a uma queda.
Já o tio de Samylle era alvo de ordem judicial de prisão preventiva quando foi capturado pela BM, caminhando pela avenida Azenha na manhã do dia 20. Em depoimento à 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o homem declarou ter aplicado somente palmadas nas nádegas da criança, em “caráter educativo”. Motivo: ela havia defecado nas calças. Também de disse arrependido e garantiu ter sido a única vez em que tomou tal atitude.
(Marcello Campos)