Sábado, 20 de julho de 2024

“Toda emoção negativa refletia na minha pele”: a relação entre psoríase e saúde mental

Pequenas manchas começaram a aparecer nos braços, cotovelos, joelhos e couro cabeludo de Caroline Almeida quando ela tinha 12 anos. Com o passar dos meses, o tamanho das marcas avermelhadas aumentou e casquinhas saíam da pele quando a jovem coçava, o que chamou atenção de sua mãe.

Natural de Cambuí, em Minas Gerais, a família morava em São Paulo na época e procurou ajuda na rede pública. Caroline foi encaminhada para uma consulta com dermatologista, que retirou uma pequena amostra de pele para realizar uma biópsia.

O resultado, que mostrava as células inflamadas, confirmou a suspeita levantada pela médica de que a jovem sofria de psoríase, uma doença de pele crônica, não contagiosa e autoimune – o que significa que o próprio sistema imunológico da pessoa ataca as células saudáveis.

Cerca de 2,6 milhões de brasileiros sofrem com a doença, segundo estimativa levantada pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia). Mas, de acordo com uma pesquisa Datafolha divulgada em outubro de 2020, apenas 6% da população reconhece as lesões causadas pela psoríase.

“Ter uma doença que todo mundo enxerga causa sofrimento para muitos”, diz o psiquiatra Elson Asevedo, diretor técnico do Caism/Unifesp, hospital que sedia o Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), acrescentando que a falta de conhecimento pode levar alguns a pensarem, erroneamente, que podem ser contaminados pelos pacientes que apresentam as manchas.

“No começo, o tratamento se resumia em opções de uso tópico, como loção para o couro cabeludo, pomadas e cremes, tudo com fórmulas manipuladas em laboratório. Resolveu por um tempo, mas na adolescência fui aos poucos deixando o cuidado de lado”, conta.

Passados alguns anos, já na adolescência, Caroline conta ter conquistado poucos amigos durante os anos de escola e sofrido bullying com comentários agressivos de colegas.

Toda vez que um episódio de estresse ou tristeza intensa aconteciam, Caroline diz que as manifestações da psoríase pioravam. “Toda emoção negativa, se ficava muito nervosa, estressada, ou mesmo triste, a todas as emoções negativas a minha pele reagia.”

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