Domingo, 21 de julho de 2024

Torcedor pelotense que quase morreu após tortura por brigadianos presta depoimento à Justiça Militar

A Justiça Militar do Rio Grande do Sul realizou nessa segunda-feira (24) a terceira audiência de seu processo sobre torturas cometidas por brigadianos contra torcedores do Brasil de Pelotas em maio de 2022. Foram quatro depoimentos, incluindo o de Raí Duarte, novamente detalhando o espancamento que quase o matou: foram 14 cirurgias e uma internação hospitalar de quatro meses, com mais de um terço do período sob coma induzido em uma UTI.

Responsável pela denúncia do caso à Justiça, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) se manifestou por meio da promotora Janine Borges Soares. Ela sublinhou:

“Quando aqueles que deveriam garantir nossa segurança praticam crimes dessa gravidade, há uma inversão de valores que atinge as vítimas de forma absurda e abala a confiança da sociedade nas instituições. Buscaremos a condenação dos réus com todo rigor, para que seja feita justiça e preservada a credibilidade do sistema”.

Ao todo, 17 policiais da Brigada Militar (BM) foram denunciados por crimes como injúria, ameaça, falsificação de documento e, na sua maioria, por tortura de 12 torcedores. A previsão inicial era de terminar as oitivas de todas as vítimas nessa segunda, mas como uma delas teve um problema de saúde que a impediu de comparecer, haverá nova audiência em data a definir. Já os acusados prestarão depoimento somente no final da fase de instrução do processo.

Relembre

Na noite de 1º de maio de 2022, um confronto na arquibancada do Estádio Passo D’Areia, Zona Norte da capital gaúcha, tumultuou a partida entre São José-POA e Brasil de Pelotas pela Série C do Campeonato Brasileiro. Depois do apito final foram detidos 12 torcedores visitantes, incluindo Raí, um funcionário público de então 33 anos e prestes a ter seu primeiro filho.

Ele já estava no ônibus de excursão que o levaria para Pelotas (Região Sul do Estado), quando acabou algemado, conduzido a um banheiro junto com os demais, sob alegação de envolvimento em uma briga (da qual garante sequer ter permanecido próximo do local do confronto). Conforme o processo, a violação foi protagonizada por integrantes do 11º Batalhão da BM.

Os policiais teriam ficado ainda mais irritados a partir do momento em que Raí mencionou o fato de ter atuado como brigadiano temporário e, que por esse motivo, avaliava a conduta dos PMs como inadequada. Foi quando passou a ser brutalmente atacado, até cair desacordado, enquanto alguns de seus companheiros de viagem também eram torturados.

Levado pelos agressores ao setor de emergência do Hospital Cristo Redentor, também na Zona Norte, ele chegou andando ao local mas logo voltou a desmaiar, sendo então colocado em uma cadeira-de-rodas. Os exames apontaram hemorragia abdominal devido a rupturas de intestino e cólon, dentre outros impactos que colocaram sua vida em risco e exigiram um longo período de recuperação.

As acusações são embasas em imagens gravadas antes e depois do incidente, tanto no estádio quando no ônibus das vítimas e no hospital onde foram atendidas. Também foram tomados depoimentos de dezenas de testemunhas e analisadas trocas de mensagens entre as partes envolvidas. O crime teria contato com a participação de civis, aspecto que está aos cuidados da Justiça comum.

(Marcello Campos)

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