Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de janeiro de 2026

Entre tradição e reinvenção
A Europa vive uma transição histórica. Vinhos tranquilos em queda, espumantes em ascensão e novas origens conquistando espaço. De Londres, Luísa Valduga, 35 anos, formada em marketing e especialista em Business Intelligence, analisa tendências, uvas emergentes e o posicionamento do Brasil e da Casa Valduga nesse novo cenário.
Europa em transição: vinhos tranquilos em 2025
O setor vinícola europeu atravessou 2025 em retração. O consumo médio per capita, que já foi de 30 litros em 2005, caiu para pouco mais de 20 litros. França, Itália e Espanha registraram quedas de até 35%, impulsionadas por mudanças demográficas, maior atenção à saúde e menor poder de compra. O vinho deixa de ser hábito diário e passa a ser escolha consciente.
Apesar disso, a União Europeia ainda responde por cerca de 107 milhões de hectolitros, metade do consumo mundial. Exportações recuaram 8,5% em 2023, com impacto direto sobre produtores tradicionais, estoques elevados e margens pressionadas.
Para Luísa Valduga, trata-se de uma mudança estrutural:
“O vinho deixou de ser um consumo automático na Europa. Hoje ele é uma escolha, e isso favorece produtores que entregam identidade, frescor e coerência com o estilo de vida atual.”
Uvas e estilos em alta: os novos entrantes
O mercado europeu movimentou cerca de US$ 104 bilhões em 2025, mas o crescimento já não está concentrado apenas nas castas clássicas. Ganham espaço uvas ligadas à origem e autenticidade: Furmint (Hungria), Assyrtiko (Grécia), Chenin Blanc (África do Sul) e Torrontés (Argentina).
Esse movimento abre espaço para produtores do Novo Mundo com perfil técnico e identidade clara. Nesse contexto, os vinhos brancos da Casa Valduga encontram boa receptividade, especialmente pela combinação de fruta, equilíbrio e frescor, alinhada às novas preferências do consumidor europeu.
Tendências para 2026
Especialistas do London Wine Competition apontam quatro eixos centrais:
O Brasil e a Casa Valduga em evidência
O avanço do Brasil no mercado internacional já não é apenas promessa: os números confirmam a tendência. Em 2025, o setor exportou 751,5 mil caixas de 9 litros, com faturamento de US$ 12,8 milhões, registrando alta de 18,5% em volume e 18,8% em valor em relação ao ano anterior. Somando vinhos, espumantes e suco de uva, o total embarcado chegou a US$ 22,23 milhões, com destaque para mercados como Paraguai, Estados Unidos e Japão.
Os espumantes lideraram esse crescimento, com aumento próximo de 30% em valor no primeiro semestre de 2025, reforçando a percepção de que o Brasil encontrou um nicho competitivo alinhado às novas preferências globais por estilos mais secos, autênticos e gastronômicos.
Segundo Luísa Valduga:
“O Brasil não precisa competir com a Europa em tradição. Nossa força está em oferecer vinhos e espumantes tecnicamente precisos, com frescor natural e identidade própria.”
A linha 130, especialmente o 130 Blanc de Blancs, tornou-se o principal rótulo exportado da Casa Valduga, enquanto os Premium Extra Brut, Nature e Sur Lie acompanham a demanda por produtos com menos açúcar e maior precisão gastronômica.
Resistência e reinvenção: espumantes em destaque
Se os vinhos tranquilos perderam espaço, os espumantes mostraram resiliência. Em 2023, a produção europeia foi de 1,496 bilhão de litros, queda de 8%, mas ainda expressiva. O consumo deixou de estar restrito às celebrações e passou a integrar momentos cotidianos.
Além do champanhe, outros estilos vêm se destacando. Os Crémants da Borgonha cresceram como alternativa de qualidade e melhor relação preço-valor dentro da França. Na Itália, o Franciacorta segue em fase de consolidação internacional. Fora do eixo tradicional, origens inesperadas surgem: espumantes da Tanzânia já recebem reconhecimento em concursos internacionais.
O Brasil se consolida como referência do Novo Mundo, com destaque para a Serra Gaúcha, onde a Casa Valduga se posiciona entre os produtores mais consistentes do país.
Como resume Luísa Valduga:
“A próxima fase do mercado de espumantes não será definida apenas pela origem clássica, mas pela relevância. Clareza de estilo, identidade e qualidade técnica serão decisivas.” (por Gisele Flores )