Terça-feira, 08 de setembro de 2026

Treze ministros aposentados do Supremo pedem a Fachin “imediata e rigorosa” apuração da crise na Corte

Treze ministros aposentados do STF (Supremo Tribunal Federal) pediram ao presidente da Corte, Edson Fachin, a convocação urgente de uma sessão pública para que o plenário determine uma apuração “imediata e rigorosa” dos fatos que atingem o tribunal.

Em uma manifestação dirigida a Fachin divulgada na segunda-feira (7), os signatários classificaram o momento como a “mais aguda crise” da história do Supremo. Eles afirmaram que os fatos divulgados vêm comprometendo o prestígio e a autoridade da Corte, a confiança da população e até a estabilidade das instituições democráticas.

O documento reúne nomes como Celso de Mello, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Rosa Weber. Os ministros aposentados manifestaram “plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin na condução do tribunal.

“Sr. Ministro Presidente, os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de V. Exª na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que V. Exª designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”, afirmaram os ministros aposentados na carta enviada a Fachin.

Os signatários também expressaram a convicção de que o presidente do STF convocará a sessão com urgência para que o plenário determine a investigação, com respeito ao devido processo legal, o cumprimento das regras e garantias previstas para uma apuração.

O texto não cita nominalmente ministros envolvidos nem especifica quais episódios devem ser investigados. A manifestação também não pede o afastamento de integrantes da Corte.

Após a divulgação da carta, o ex-ministro Celso de Mello afirmou que o documento não faz referência a casos específicos e que mantém “equidistância em relação aos casos (e eventos) que têm provocado perda da confiança social na integridade, imparcialidade e independência dos juízes do STF, sério desgaste da autoridade da Suprema Corte e grave declínio de respeitabilidade” da instituição.

Em manifestação divulgada posteriormente, Mello afirmou que ministros do STF devem impedir que “eventuais condutas ilícitas” ou “comportamentos eticamente censuráveis” lancem sobre a Corte “a sombra corrosiva da suspeita”.

“Nenhuma autoridade está acima da lei nem pode invocar a dignidade do cargo para subtrair-se ao escrutínio público”, escreveu.

O ex-presidente do STF também defendeu a realização de julgamentos públicos e o exame dos fatos pelo plenário da Corte. Segundo ele, “quando estão em causa o interesse da sociedade, a moralidade pública e a própria integridade das instituições, não há espaço para sombras, opacidade ou subtração de decisões ao escrutínio dos cidadãos”.

Assinaram a carta os ex-ministros Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.

A crise no STF se intensificou na semana passada, após o ministro André Mendonça quebrar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que mostra trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Após derrota para o Vitória, técnico Luís Castro lamenta o desempenho do Grêmio como visitante no Brasileirão
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play