Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de janeiro de 2026
A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nessa terça-feira (6), em sua primeira atividade de gabinete após tomar posse no dia anterior, que nenhum “agente externo” governa o país após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos EUA.
“O governo venezuelano governa o nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela”, declarou, em um pronunciamento televisionado. Sua liderança começou sob pressão de Donald Trump, que afirmou controlar o país.
“Desde já, faço o nosso reconhecimento aos mártires que deram a sua vida para defender a Venezuela”, disse ela, em uma reunião em que o governo compartilhou dados da produção agrícola. “A Venezuela está em um caminho doloroso pela agressão inédita que sofreu, mas o povo venezuelano está nas ruas, marchando, pela paz no nosso país e pela liberdade do nosso presidente”, seguiu.
“Crescemos em força e espiritualmente para enfrentar desafios, agressões e ameaças. Pessoalmente, aqueles que ameaçam meu destino não têm poder de decisão, somente Deus”, afirmou, cercada por parte de seu gabinete.
O ditador deposto no sábado (3) foi preso junto com a primeira-dama, Cilia Flores, sob acusações de narcotráfico, e enviado a uma prisão em Nova York. Rodríguez, que era vice de Maduro, tomou posse no Parlamento na tarde de segunda-feira (5) e se disse leal a Maduro.
Delcy enfrenta agora a dura tarefa de atender às demandas dos Estados Unidos e reorganizar o chavismo sem Nicolás Maduro.
Ela fez seu juramento a seu irmão e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e acompanhada pelo filho do ditador, o deputado Nicolás Maduro Guerra — em uma demonstração de apoio da família do ditador à liderança interina e também em uma tentativa do chavismo de demonstrar coesão.
Em busca desse simbolismo, Delcy encerrou sua agenda oficial com uma visita ao túmulo de Hugo Chávez logo após assumir o cargo. A chavista caminhou até o monumento “A Flor dos Quatro Elementos”, onde estão os restos mortais de Chávez, e depositou flores, afirmando estar comprometida com a livre determinação da Venezuela.
Quase ao mesmo tempo em que ela era empossada líder interina, durante uma audiência em Nova York, o homem que conduziu a Venezuela se declarou inocente das acusações, disse se considerar um prisioneiro de guerra e afirmou que ainda é o presidente da Venezuela.
Mas cabe a Delcy agora enfrentar desafios internos no chavismo e as pressões de Donald Trump. O presidente dos EUA já alertou que ela pode sofrer consequências graves caso não tome decisões alinhadas às expectativas dos Estados Unidos.
Figuras-chave do regime, como Diosdado Cabello (ministro do Interior) e Vladimir Padrino (Defesa), continuam em seus postos, ainda que não esteja claro como ficará a correlação de forças dentro do chavismo.
No mesmo dia em que Delcy assumiu, ocorreram relatos de tiros perto do palácio presidencial, embora a situação tenha sido explicada como um incidente com um drone sem autorização.
Antes da posse, Delcy se dirigiu a Trump pedindo uma relação equilibrada e respeitosa entre Estados Unidos e Venezuela. Do ponto de vista econômico, os setores de petróleo e mineração contam com uma facilitação da entrada de empresas norte-americanas.
Também cresce a expectativa de liberações de políticos presos para facilitar negociações. Durante a posse do Parlamento, no entanto, cerca de 16 jornalistas foram detidos, segundo noticiou a agência de notícias AFP, com base em informações do sindicato dos jornalistas do país. A maioria deles teria sido liberada, segundo a agência.
Um dia depois da cerimônia de posse dos novos deputados e da abertura da legislatura 2026-2031, nesta terça-feira, a Assembleia Nacional, dominada pelo PSUV (Partido Socialista Unido de Venezuela) — o partido de Maduro e Delcy — deu início aos trabalhos legislativos com mais homenagens ao ditador deposto e a sua esposa.
Ao notificar a Suprema Corte de Justiça do início do período legislativo, o deputado Pedro Carreño disse que o ato do dia anterior foi carregado de “fervor patriótico”. “Mas havia uma cadeira vazia, a de Cilia Flores, que não compareceu por ter sido sequestrada”, afirmou o parlamentar. (Com informações da Folha de S.Paulo)