Quarta-feira, 01 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de abril de 2026
Donald Trump voltou a adotar um tom confuso sobre a guerra contra o Irã, oscilando entre o otimismo com as negociações e novas ameaças de destruir a infraestrutura de energia do país, caso os iranianos não aceitem um acordo. Em sua rede social, Trump afirmou que houve “grande progresso” no diálogo, mas alertou que ordenaria ataques contra usinas de eletricidade, dessalinização de água e instalações de petróleo, se Teerã não aceitasse sua proposta.
O presidente tem repetido as mesmas ameaças nos últimos dias, recuando em seguida, após reação negativa dos mercados. “Se o Estreito de Ormuz não for aberto, concluiremos nossa adorável estadia no Irã explodindo todas as suas usinas geradoras de eletricidade, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente as usinas de dessalinização), que propositalmente ainda não tocamos”, escreveu Trump.
Pressionada sobre a ameaça do presidente Donald Trump de atacar instalações de energia iranianas e potencialmente usinas de dessalinização caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz, a Casa Branca afirmou que os militares americanos sempre agirão em conformidade com a lei.
Atacar alvos civis como usinas de dessalinização pode configurar violações do direito internacional. A secretária de imprensa Karoline Leavitt disse que Trump tem o objetivo de pressionar o Irã a fechar um acordo.
“O presidente deixou bem claro para o regime iraniano neste momento que a melhor opção é fechar um acordo, ou então as Forças Armadas dos Estados Unidos possuem capacidades que superam a imaginação do país, e o presidente não teme usá-las”, afirmou.
Apesar de o presidente garantir que está negociando com o novo regime, há pouco progresso aparente. O Irã negou manter conversas com os EUA e rejeitou os 15 pontos propostos por Trump. Na semana passada, um porta-voz do exército iraniano chegou a dizer que o americano estaria “negociando sozinho”.
Enquanto isso, a guerra continua no Oriente Médio, pressionando os preços do petróleo ( mais informações na página B8). Para reduzir o impacto doméstico e a revolta dos eleitores com o aumento dos combustíveis nos EUA, Trump busca uma saída para um conflito que ele estimou que levaria pouco mais de um mês – no sábado, a guerra entrou na sua quinta semana.
Enquanto isso, o presidente altera diariamente seus objetivos. No domingo, chegou a dizer que a mudança de regime no Irã já havia sido alcançada. Após afirmar que os iranianos estavam “completamente destruídos”, Trump manteve os bombardeios e ordenou um aumento da mobilização de tropas – os EUA já têm mais de 50 mil homens no Oriente Médio, o que aumenta a possibilidade de uma invasão terrestre.
No domingo, o presidente afirmou que gostaria de “tomar o petróleo” iraniano e repetiu que ocuparia com facilidade a Ilha de Kharg, onde o Irã armazena 90% de sua produção. Em entrevista ao Financial Times, ele disse ter “muitas opções” sobre a mesa.
“Minha preferência é ficar com o petróleo, mas algumas pessoas estúpidas aqui nos EUA dizem: ‘Por que você está fazendo isso?’”, reclamou. “Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções. Não acho que eles tenham qualquer defesa. Poderíamos tomá-la facilmente.”
Para tentar evitar o pior, os chanceleres de Turquia, Paquistão, Arábia Saudita e Egito se reuniram no domingo em Islamabad para destravar as negociações, mas sem avanços. Mohammad Qalibaf, chefe do Parlamento iraniano, disse que o exército do Irã está pronto para uma invasão dos EUA. “Estamos aguardando”, afirmou. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)