Sábado, 07 de fevereiro de 2026

Trump apaga vídeo racista que havia publicado com Barack e Michelle Obama como macacos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apagou de sua conta na rede Truth Social a publicação racista que retratava o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama, como macacos. No período em que ficou no ar, o post gerou uma onda de críticas.

Um funcionário da Casa Branca disse à agência de notícias AFP que o post foi compartilhado por engano por um membro da equipe e que, por isso, havia sido excluído.

A versão diverge de um posicionamento divulgado mais cedo nessa sexta. A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia defendido o post, chamando a repercussão de “indignação falsa”.

“Isto vem de um vídeo de meme da internet que retrata o presidente Trump como o rei da selva, e os democratas como personagens de ‘O Rei Leão’”, escreveu Leavitt em comunicado à AFP. “Por favor, parem com a indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano.”

O vídeo publicado, que dura um minuto, termina com um trecho que mostra os rostos do ex-presidente e da ex-primeira-dama sobrepostos aos de macacos. A canção “The Lion Sleeps Tonight”, da trilha sonora de “O Rei Leão”, toca ao fundo quando o casal aparece. O conteúdo, compartilhado na Truth Social, na quinta-feira (5), foi gerado com ferramentas de inteligência artificial.

O vídeo repete acusações falsas de que a empresa Dominion Voting Systems, fabricante de urnas eletrônicas nos EUA, ajudou a fraudar o pleito de 2020. Naquele ano, Joe Biden derrotou Trump na corrida pela Casa Branca.

A fabricante, inclusive, processou a Fox News por difamação após a emissora divulgar afirmações de que as máquinas foram usadas para manipular o resultado das eleições. As empresas chegaram a um acordo judicial de US$ 787,5 milhões (R$ 3,9 bilhões) em 2023.

Reações

A postagem de Trump na Truth Social gerou críticas imediatas de figuras políticas proeminentes, incluindo o senador republicano Tim Scott, aliado de Trump e negro.

“Estou rezando para que seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”, afirmou Scott no X. “O presidente deveria removê-lo.”

O deputado republicano Mike Lawler, de Nova York, esteve entre diversas outras figuras políticas que defenderam que Trump deveria se desculpar e apagar a publicação.

“Que assombre Trump e seus seguidores racistas o fato de que os futuros norte-americanos abraçarão os Obamas como figuras amadas, enquanto estudam Trump como uma mancha em nossa história”, disse Ben Rhodes, ex-assessor de Obama, no X.

Histórico racista

Em dezembro, Trump descreveu somalis como “lixo” que deveria ser expulso do país. Ele também se referiu a esse e a outros países em desenvolvimento como “países de merda”. Trump também já foi criticado por publicar um vídeo produzido por IA de Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, com um bigode falso e um chapéu. O deputado, que é um homem negro, classificou a imagem de racista.

Ativistas de direitos civis afirmam que a retórica de Trump se tornou cada vez mais ousada, normalizada e politicamente aceitável. “O vídeo de Donald Trump é descaradamente racista, repugnante e totalmente desprezível”, disse Derrick Johnson, presidente nacional da NAACP, organização de defesa dos direitos civis, em nota enviada por e-mail. “Os eleitores estão observando e vão se lembrar disso nas urnas.” (Com informações da Folha de S. Paulo, CNN Brasil e InfoMoney)

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