Sábado, 10 de janeiro de 2026

Trump cancela “segunda onda de ataques à Venezuela” após libertação de presos políticos

O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (9), que cancelou uma “segunda onda de ataques” à Venezuela após o país sul-americano dar início à soltura dos presos políticos pelo regime. Apesar do recuo, segundo o americano, “todos os navios permanecerão em seus postos por questões de segurança”.

O governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, deu início à soltura dos presos políticos do país, incluindo estrangeiros, na quinta (8). Segundo a coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD), sete pessoas foram libertadas, sendo três venezuelanos (Rocío San Miguel, Biagio Pilieri e Enrique Márquez) e quatro espanhóis.

A declaração foi feita em publicação na Truth Social. O republicano classifica a ação como um “sinal de busca pela paz” e um “gesto muito importante e inteligente”. “Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução, em uma forma muito maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás”, escreveu.

No post, Trump anunciou que “grandes empresas petrolíferas” farão um investimento de US$ 100 bilhões na exploração de petróleo venezuelano. O presidente deve se reunir ainda hoje com as companhias na Casa Branca.

De acordo com a ONG Foro Penal, ao todo, 806 pessoas estão presas na Venezuela por razões políticas. A cifra é formada por 175 militares, 105 mulheres e um adolescente.

Petróleo

O presidente norte-americano afirmou que empresas interessadas no petróleo venezuelano terão de negociar diretamente com os Estados Unidos.

A declaração foi feita durante uma reunião com altos funcionários do governo e executivos de algumas das maiores petroleiras do mundo. Segundo o republicano, os EUA estão abertos a negociações com a China.

“A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”, afirmou.
O gigante asiático é o principal comprador do petróleo venezuelano. Após as amplas sanções impostas pelos EUA ao país sul-americano em 2019, a participação da China subiu para 68% das exportações venezuelanas nos últimos anos.

Trump também afirmou a executivos do setor petroleiro que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela, sob um novo acordo com o país, após forças americanas prenderem Nicolás Maduro em território venezuelano no último sábado (3).

“A Venezuela parece ser uma aliada”, afirmou o republicano durante a reunião. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou nesta semana que o país está aberto a relações energéticas em que todas as partes se beneficiem.

A declaração ocorreu após a Casa Branca dizer que estava trabalhando em um acordo de petróleo com o país sul-americano.

O republicano já vinha sinalizando as intenções dos EUA em relação ao petróleo venezuelano. Segundo ele, a Venezuela concordou em destinar a receita obtida com a venda do petróleo à compra exclusiva de produtos fabricados nos EUA.

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano.

“Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro — uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos”, acrescentou Trump.

O Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano. De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.

“Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados” , informou o departamento.

O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”. (Com informações do portal de notícias g1)

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