Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de janeiro de 2026
Durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na terça-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou sobre a “ocupação” do país na Groenlândia durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945).
Em meio a tensões com líderes europeus por conta de sua intenção de anexar a Groenlândia, Trump voltou a subir o tom: chamou a Dinamarca de “ingrata” e disse que “a Europa não está indo na direção correta”.
“Colocamos bases militares na Groenlândia para defendê-la e salvá-la. Fortificamos a Dinamarca. Impedimos que os inimigos (alemães, durante a 2ª Guerra Mundial) conquistassem a Groenlândia. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora”, disse.
A afirmação, entretanto, está incorreta. O que aconteceu, entre 1941 e 1945, foi uma ocupação militar dos EUA na ilha. A Groenlândia se tornou uma espécie de “protetorado” do país da América do Norte, depois que a Alemanha nazista ocupou a Dinamarca, em 1940.
Em 1941, os EUA assinaram o acordo de “Defesa da Groenlândia”, com o embaixador dinamarquês. O acordo garantia aos EUA construírem bases militares na ilha. A “ocupação” duraria até o fim da guerra, logo após a rendição da Alemanha, em 1945.
A Dinamarca esperava que os EUA desocupassem militarmente a ilha. No entanto, depois do final da guerra, os EUA continuaram na ilha, cobiçada pelo país desde o século 19 – em 1867, o ano em que o compraram o Alasca da Rússia, políticos americanos consideraram anexar a Groenlândia e também a Islândia.
Em 1946, os EUA chegaram a oferecer US$ 100 milhões à Dinamarca, a fim de comprar a ilha. Também cogitaram trocar terras ricas em petróleo no Alasca por partes estratégicas da ilha ártica. A venda não foi concretizada. Mas Estados Unidos acabaram ficando com as bases militares que desejavam. Os americanos possuem bases militares no local até hoje.
Discurso de Trump
Durante seu discurso em Davos, Trump também afirmou que não pretende usar a força para anexar a Groenlândia, mas insistiu na compra do território, manteve o tom de ameaça aos aliados europeus e argumentou que nenhum outro país, além dos EUA, conseguiria manter a segurança da ilha.
“Tenho respeito tremendo às pessoas da Groenlândia e da Dinamarca, mas acredito que nenhum outro país consegue manter a segurança da Groenlândia a não ser os Estados Unidos”, discursou. “A Groenlândia está sem defesa em uma localização estratégica”.
No discurso, descartou as críticas de que ele próprio é uma ameaça à Otan, a aliança militar ocidental da qual os EUA e países europeus fazem parte. “Isso (a anexação da Groenlândia) não seria uma ameaça à Otan, fortaleceria a segurança da aliança”.
Embora líderes da União Europeia, da Dinamarca e da Groenlândia já tenham afirmado que não venderão o território, Trump afirmou que foi a Davos “buscar negociações para adquirir a Groenlândia”.
Ceder o território, no entanto, é uma possibilidade que a Dinamarca não cogita sequer discutir com os EUA. (Com informações do g1)