Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de janeiro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nessa terça-feira (20) querer que o líder brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desempenhe um “grande papel” no Conselho de Paz, o órgão criado para supervisionar o governo tecnocrático da Faixa de Gaza. O republicano disse também que gosta do petista.
As declarações ocorreram durante entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington. O republicano respondeu a pergunta da jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo. Foram feitas ainda horas depois de o brasileiro ter criticado Trump e afirmado que ele quer “governar o mundo pelo Twitter”.
“Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala ali da coisa que ele falou”.
“Vocês acham que é possível, gente?”, continuou o presidente brasileiro. “É possível tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês, se eu achar que vocês são objetos e não um ser humano?”
Primeiro ano
A entrevista foi concedida no dia em que Trump completa um ano à frente da Casa Branca e em meio à escalada de tensões com a Europa. Questionado quão longe ele está disposto a ir para conquistar a Groenlândia, ele afirmou: “Vocês vão descobrir”.
O presidente falou sobre sua relação com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o premiê britânico, Keir Starmer, após criticá-los pela plataforma Truth Social. “Eu me dou bem com ele. Eles sempre me trataram bem. Eles ficam um pouco agitados quando eu não estou por perto.”
No dia em que completa um ano de volta à Presidência, Trump anunciou de surpresa que ele próprio falaria com jornalistas na Casa Branca. Pela agenda oficial, a entrevista desta terça-feira (20) seria conduzida pela porta-voz Karoline Leavitt. Poucos minutos antes do início do evento, no entanto, a imprensa foi informada de que o republicano assumiria as respostas.
Conselho de Gaza
O Brasil ainda não respondeu se deve aceitar o convite para participar do conselho. Como a Folha mostrou, existe preocupação de que o objetivo de Trump com o novo órgão seja esvaziar a ONU.
Questionado sobre isso, o republicano que talvez seja esse seu objetivo. “A ONU não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca o explorou completamente. A ONU deveria ter resolvido todas as guerras que eu tentei resolver; eu nunca recorri a ela. Nunca sequer pensei em recorrer a ela. Eles deveriam ser capazes de resolver essas guerras. Acredito que devemos deixar a ONU continuar, porque o potencial dela é enorme”.
Trump alega que ajudou a terminar ou evitar diversas guerras ao longo do primeiro ano de seu atual mandato, afirmação contestadas por analistas.
O Conselho de Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro. Pela proposta do republicano, os integrantes do órgão exercerão um mandato de três anos ou poderão ter cargos vitalícios caso paguem US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões) em dinheiro vivo. Com informações da Folha de S. Paulo e g1.