Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Trump exalta economia, ataca imigrantes e atribui problemas a Biden

Em seu primeiro discurso do Estado da União desde que voltou à Casa Branca, Donald Trump fez na terça-feira (24) uma forte defesa de sua agenda no tumultuado primeiro ano de seu segundo mandato. A fala de 1h47min bateu o recorde de discurso presidencial ao Congresso mais longo da história – agora, dos oito mais longos, cinco são de Trump. Proferido em um momento crucial de sua presidência, quando sua popularidade está no nível mais baixo desde que reassumiu o cargo, ele tentou convencer seus eleitores de que seu governo está no rumo certo e merece manter a maioria no Congresso nas eleições de novembro.

Após definir como cenário caótico o que os EUA estavam vivendo sob Joe Biden, culpado pelas mazelas econômicas do país, ele destacou o que definiu como uma “transformação”. Sustentou que houve redução dos preços dos medicamentos, exaltou o combate aos custos da habitação e destacou o controle das fronteiras.

“Esta noite, após apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que alcançamos uma transformação como nunca se viu antes, uma reviravolta histórica. Nunca mais voltaremos ao ponto em que estávamos há pouco tempo”, disse.

O discurso não fugiu a uma regra tradicional em sessões conjuntas, apenas acentuada em tempos de polarização: do lado governista, deputados e senadores aplaudindo de pé a cada pausa do presidente e, na metade do plenário reservada à oposição, silêncio e desaprovação. Um dos poucos momentos em que essa divisão se rompeu foi quando os membros da seleção masculina de hóquei dos EUA, medalha de ouro nos Jogos de Inverno, entraram na tribuna.

“É a primeira vez que vejo eles levantarem. E nem todos o fizeram”, disse Trump, em referência aos democratas. O presidente disse ainda que a seleção feminina visitará em breve a Casa Branca. Não ficou claro se houve mudança desde que a equipe feminina recusou o convite para o discurso, alegando conflitos de agenda.

As pesquisas mostram que os americanos, por ampla maioria, o desaprovam em questões que antes eram seus pontos fortes: a economia e a imigração. Uma média das sondagens do New York Times revelou que o índice médio de aprovação é de 41%, com 56% desaprovando seu desempenho.

O governo está parcialmente paralisado. E a Suprema Corte – que ele esperava que lhe fosse totalmente leal – desferiu, na semana passada, um duro golpe contra um dos principais pilares de sua presidência: as amplas tarifas impostas a países de todo o mundo.

Os republicanos correm o risco de perder a Câmara nas próximas eleições, em novembro, o que pode comprometer o segundo mandato de Trump. Em maior número, os democratas teriam poder de submeter o presidente a investigações.

Trump voltou ao poder com a promessa de revitalizar a economia e endurecer as leis de imigração. Parte dos americanos sente que a economia vai mal e, embora tenha havido apoio à mensagem de Trump de reduzir o fluxo de migrantes, houve indignação com a maneira letal como os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) conduziram a campanha de deportação em Minneapolis.

Nas últimas semanas, Trump tentou reformular o debate nacional sobre ambas as questões. Ele embarcou no que seu governo chamou de uma turnê nacional para promover sua agenda econômica – e reivindicou vitória sobre o alto custo de vida.

Antes do discurso, Trump disse que não conseguia mais se controlar para se comportar como um “bom menino”. Ele chamou os juízes que votaram contra ele de “tolos e lacaios”, que são “antipatrióticos e desleais”. Ontem, ele voltou a lamentar a decisão – desta vez diante dos próprios juízes –, mas disse que muitos países preferiram manter os acordos já fechados, o que não afetaria as tarifas declaradas inconstitucionais.

Em sua primeira referência à política externa no discurso, Trump se referiu à Venezuela como “novo amigo e parceiro dos EUA”. Ele exaltou a destituição do ditador Nicolás Maduro por uma equipe militar americana.

Após mais de uma hora e meia de discurso, o presidente finalmente mencionou o aumento das tensões com o Irã, enquanto o mundo aguarda com grande expectativa o próximo passo dos EUA. “Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia. Mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo possua uma arma nuclear”, disse Trump. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

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