Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Trump lança Conselho da Paz em Davos com críticas à ONU e grupo reduzido de países signatários

Com adesão menor do que a esperada, o presidente dos EUA, Donald Trump, lançou formalmente nessa quinta-feira (22) o “Conselho da Paz”, iniciativa americana para a resolução de conflitos internacionais, em um evento à margem do Fórum Econômico de Davos, na Suíça. A organização, criada no contexto das negociações entre Israel e Hamas sobre a Faixa de Gaza, levanta preocupações entre autoridades e analistas pela abrangência que pode tomar, uma vez que não deve ficar restrita ao Oriente Médio, apontando a medida como uma forma de concorrência ao sistema da ONU.

Apesar da clara tentativa de remodelação da ordem mundial por parte de Trump, países aliados de longa data dos EUA – como Reino Unido e França – estão relutantes sobre o arranjo e já rejeitaram a proposta, sobretudo após o convite ter sido estendido a líderes antidemocráticos como o presidente russo, Vladimir Putin. O Kremlin, por sua vez, ainda analisa sua participação no órgão, condicionando-a ao descongelamento de ativos russos mantidos nos Estados Unidos por conta da guerra na Ucrânia.

“Estamos aqui diante de uma grande oportunidade. Vai acontecer. Terminar décadas de sofrimentos, de guerra, e uma paz gloriosa para a região. Para o mundo. Eu chamo o mundo de região. E teremos paz no mundo, e será um grande legado para todos nós”, afirmou o presidente americano.

Quem quiser ter participação permanente no conselho recém-criado terá de desembolsar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões, na cotação atual). Trump será o presidente da organização – cargo que disse ter recebido com “grande honra” –, que contará com a participação de outros líderes mundiais, incluindo aliados que compartilham sua visão de mundo populista, como o presidente argentino, Javier Milei, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

Baixa adesão

Apesar das expectativas de integrantes do governo americano, o total de países que aderiram foi menor do que o previsto. Em Davos, líderes e representantes de 19 nações participaram do anúncio: Argentina, Arábia Saudita, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Bulgária, Catar, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Jordânia, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Turquia e Uzbequistão. Segundo uma fonte ouvida pela CNN, a estimativa inicial era de que cerca de 35 países se juntariam à iniciativa.

A principal ausência ficou por parte dos aliados europeus da Otan – envolvidos em uma disputa com Trump por causa de suas ambições em relação à Groenlândia. Entre as nações que recusaram o convite até o momento estão França, Reino Unido, Suécia, Holanda, Alemanha e Canadá. Além do escopo ampliado para além de Gaza, o convite a líderes antidemocráticos, como Putin e o líder da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, desagradou os aliados ocidentais.

“Este é um tratado jurídico que levanta questões muito mais amplas, e também nos preocupa que o presidente Putin faça parte de um órgão que fala sobre paz quando ainda não vimos nenhum indício de que se comprometerá com a paz na Ucrânia”, disse a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.
Críticas a ONU

Em declarações anteriores, Trump havia afirmado que seu Conselho da Paz poderia substituir a ONU. Uma minuta de estatuto da organização, revisada pela Bloomberg, sugeria que o mandato seria mais amplo para “garantir a paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”, uma visão abrangente que alarmou muitos parceiros americanos, que temem que o conselho busque rivalizar – e minar – a ONU. Esses temores persistiram apesar dos esforços do governo Trump para convencer as nações de que o conselho complementará, e não substituirá, o órgão.

“Assim que esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos, e faremos isso em conjunto com as Nações Unidas”, disse o presidente dos EUA, acrescentando que “sempre disse que as Nações Unidas têm um potencial enorme. Não o usaram, mas o potencial é enorme”.

As críticas seguiram. Voltando a falar sobre os conflitos que afirma ter encerrado – oito, na contagem do presidente, embora seja uma afirmação contestável –, Trump disse ter alcançado os resultados por meio de uma mediação sem qualquer ajuda da ONU, apresentando como um sinal de que seria mais efetivo.

“Nas oito guerras que encerrei, nunca falei com as Nações Unidas, em nenhuma delas Eles tentaram, eu acho, e alguns até tentaram, mas não se esforçaram o suficiente”, disse Trump.

Embora o Conselho de Segurança da ONU tenha inicialmente endossado o plano de Trump para Gaza, o escopo mais amplo do plano pegou autoridades de surpresa. Na segunda-feira, o porta-voz da ONU, Farhan Haq, afirmou que o Conselho de Segurança havia autorizado a criação do Conselho de Paz apenas para seu trabalho em Gaza. As informações são de O Globo.

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