Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de janeiro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (7) uma proclamação que determina a retirada do país de 35 organizações não vinculadas às Nações Unidas e de outras 31 entidades que integram o sistema da ONU.
De acordo com comunicado divulgado pela Casa Branca, a decisão foi tomada porque, na avaliação do governo americano, esses organismos “operam contrariamente aos interesses nacionais dos Estados Unidos”.
A maioria das entidades afetadas é composta por agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que atuam em áreas como mudanças climáticas, direitos trabalhistas e políticas sociais. O governo Trump classifica essas iniciativas como alinhadas a pautas de diversidade e ao que define como agenda “woke”.
Entre as organizações das quais os EUA anunciaram a saída estão a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
O governo americano já havia suspendido anteriormente o apoio a outras instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Desde o início do atual mandato, Trump tem adotado uma postura mais seletiva em relação ao pagamento das contribuições financeiras à ONU, priorizando operações e agências que considera alinhadas à sua agenda política e deixando de financiar aquelas que, segundo o governo, não atendem mais aos interesses dos Estados Unidos.
“Acho que o que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo, que é ‘ou do meu jeito ou nada feito’”, afirmou Daniel Forti, analista sênior sobre a ONU no International Crisis Group. Segundo ele, trata-se de uma visão que busca a cooperação internacional exclusivamente nos termos de Washington.
A postura representa uma mudança significativa em relação à forma como administrações anteriores — tanto republicanas quanto democratas — se relacionaram com a ONU. A decisão também forçou a organização, que já enfrentava um processo de reestruturação interna, a promover cortes de pessoal e a reduzir programas.
Organizações não governamentais independentes, algumas delas parceiras das Nações Unidas, relataram o encerramento de diversos projetos após a decisão do governo americano, no ano passado, de reduzir drasticamente a ajuda externa por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que acabou sendo desativada durante a gestão Trump.
Primeiro mandato
Esta não é a primeira vez que Trump adota medidas de afastamento de organismos multilaterais. Durante seu primeiro mandato na Casa Branca, entre 2017 e 2021, os Estados Unidos também deixaram diversas instituições internacionais.
Em julho de 2020, em meio à pandemia de Covid-19, Trump anunciou a retirada do país da Organização Mundial da Saúde, responsável pela coordenação de esforços globais no combate ao coronavírus e no desenvolvimento de vacinas. A saída formal foi concluída no ano seguinte.
Na ocasião, o então presidente afirmou que a OMS teria sido “pressionada” pela China a fornecer “direcionamentos errados” sobre a pandemia. “O mundo está sofrendo agora como resultado dos malfeitos do governo chinês”, declarou Trump em maio de 2020.