Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Tudo acaba no Carnaval. Será?

Carnaval chegando nos remete a marchinha: “olha a cabeleira do Zezé, será que ele é? Será que ele é? Será? Juiz federal que deixou a magistratura pra ser Ministro de Estado se envolve com temas que julgou. Ex Presidente, condenado recentemente, por tentar se manter no poder.

Outro Ex, quase nomeado pra um cargo de alto escalão, pra ter foro privilegiado, cumpre parte da pena e, por uma decisão jurídica, se elege novamente Presidente da República. Outro se atrapalhou ao receber um Fiat Elba irregularmente. Ex-Presidenta sofreu impeachment, alardeia que foi golpe.

Ministros da Corte, baluartes da justiça, não ficam ruborizados ao julgar demandas de parentes, viajar em jatinhos de advogados que atendem, serem contratados pra darem palestras de empresários que julgam. Um Ex, inclusive, aceitou trabalhar num banco que ele sabia inflado de ilícitos.

Alguns parlamentares de todas as matizes ideológicas transformam seus gabinetes em escritórios de lobby e votam matérias de seu interesse pessoal. Religiosos de todas as crenças fazem de sua doutrina banca de mercancia, em troca do céu. Jogadores de futebol que facilitam resultados de partidas pra auferir comissões.

Empresários e governos, dividindo e negociando obras públicas sem nenhuma cerimônia. Um, 3 vezes Ministro do Trabalho, defensor do ideário trabalhista, enganou e ludibriou a grande família dos aposentados deste país. Um delegado, ex-chefe da Policia Federal, condenado.

Militares das 3 Forças Armadas, até então exemplos, cumprindo pena envergonhando a farda que vestem. Outros, outros. Perguntados, todos disseram inocentes e perseguidos. Tem muito mais, não caberia aqui. Todavia, tudo, segundo um Procurador Geral da República, no rito do devido processo legal, nenhuma afronta. Lembram o cidadão que vendeu o sofá ao chegar em casa e encontrar a esposa deitada nele com o vizinho.

Brasil de muitos brasis, de muitos Gersons, onde levar vantagem em tudo impera. Alguém pediu ou foi eles que quiseram agir assim? E o que é feito da Ética, a ciência dos costumes e dos atos humanos, indissociável da moralidade? Não é ela que impõe ao homem o dever de agir na direção do bem, se sobrepondo a todas as parcialidades?

Se a ética É, a moral É, e o caráter É, nada há a escrever e interpretar. Resolveremos editando um código de conduta validado por quem não tem conduta? Dizem que o carnaval apaga tudo? Ele está ai, basta culpar a esquerda, a direita e sair na avenida: “olha a cabeleira do Zezé, será que ele é? Será que ele é? Será que vamos acabar nos acostumando e o principal vai seguir o acessório? Será?

*Eduardo Battaglia Krause
Advogado e escritor

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