Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Tudo indica que reforma tributária não deverá ganhar novas exceções ao voltar à Câmara dos Deputados

O secretário extraordinário do Ministério da Fazenda para a reforma tributária, Bernard Appy, afirmou que “tudo indica” que não haverá a inclusão de novas exceções à alíquota-padrão do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) no retorno da proposta à Câmara. “Eu acho que tudo indica que, nesse processo de retorno à Câmara, não será reaberto o prazo para emendas para introduzir novas exceções. Tudo indica que não”, disse o secretário.

De acordo com ele, o trabalho da equipe econômica agora é de apoio técnico ao relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Ribeiro esteve na Fazenda na manhã desta segunda-feira, em reunião com o ministro Fernando Haddad, o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, e Appy. Esse foi o único compromisso na agenda de Haddad, que depois viajou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a COP-28.

A reforma foi aprovada no Senado no último dia 8, e agora o relator na Câmara avalia as mudanças feitas pelos senadores. A expectativa é que a PEC seja promulgada ainda este ano para que as mudanças comecem a ser implementadas em 2024, quando serão discutidas as leis complementares.

A proposta simplifica o sistema tributário do País ao substituir impostos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por três tributos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que é federal, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que reúne os impostos estaduais e municipais, e o Imposto Seletivo.

Há regimes específicos e alíquotas diferenciadas para determinados setores. Para Appy, se a proposta fosse aprovada sem as exceções, o Brasil teria o “melhor sistema do mundo”. Mesmo assim, ele avalia que a PEC da forma como está ainda permite que o País tenha um sistema tributário “muito superior ao atual”. Appy tem dito que essas exceções são o custo político da aprovação da reforma.

Para ele, seria “muito difícil” migrar para um sistema de cobrança de tributos com alíquota única, sem exceções, partindo de um sistema com “alto grau de distorção”, como é o caso do Brasil.

O secretário acompanhou a votação no plenário do Senado. Na ocasião, disse que preferia um placar mais folgado, mas que “sempre foi com segurança”. O clima no plenário até segundos antes de o painel mostrar a contagem dos votos, contudo, era de tensão entre governistas.

A reforma passou em primeiro turno com margem apertada: 53 votos a favor e 24 contra. Eram necessários, no mínimo, 49 votos.

Appy foi secretário-executivo e de política econômica do Ministério da Fazenda, de 2003 a 2009, durante os mandatos anteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e é considerado o “pai da reforma tributária”.

Foi ele que elaborou o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/19, apresentada pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP). Esse texto foi usado como base para a reforma discutida este ano no Congresso.

Trabalho coordenado

Appy também afirmou nessa segunda, ao participar do 16º Encontro Nacional de Administração Tributária (ENAT), em Brasília, que a União, os Estados e os municípios terão de trabalhar “de forma coordenada” na formatação do IVA dual que será criado com a aprovação da proposta para substituir cinco impostos atuais sobre consumo.

Ele reforçou que as leis complementares para a regulamentação da proposta serão elaboradas em conjunto pelos entes federativos e frisou que o País está concluindo apenas o primeiro passo da reforma ao aprovar a PEC no Congresso. “É uma maratona. Estamos nos dez quilômetros da maratona. Ainda temos muito chão pela frente para que a mudança no nosso sistema de tributos seja concluída”, afirmou.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Após apagão, Bradesco diz que vice-presidente Eurico Fabri renunciou ao cargo
Preços médios da gasolina e do etanol voltam a cair nos postos de combustíveis
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play