Terça-feira, 21 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de julho de 2026
A Marinha da China realizou o lançamento de teste de um míssil balístico de longo alcance a partir de um submarino de propulsão nuclear – uma ação que, segundo especialistas, demonstra o crescente domínio técnico e a capacidade de Pequim como parte de sua estratégia de dissuasão nuclear.
A medida também provocou protestos dos Estados Unidos e de países da Ásia e do Pacífico. Foi a segunda vez, nos últimos anos, que a China lançou um míssil balístico em águas internacionais. Embora tenha avisado previamente alguns países da região, alguns afirmaram que o aviso não foi suficiente, e especialistas dizem que o lançamento agrava as tensões em torno da crescente militarização da Ásia.
Veja o que se sabe – e o que ainda não se sabe – sobre o lançamento do míssil.
Especialistas acreditam que pode ser um míssil balístico JL-2 ou JL-3
A China anunciou publicamente o teste do míssil na segunda-feira apenas após o lançamento, afirmando que ele foi disparado em direção ao Oceano Pacífico. Em um breve comunicado, a agência de notícias estatal chinesa Xinhua afirmou que o lançamento fazia parte de um treinamento anual de rotina, estava em conformidade com o direito e as práticas internacionais e não era direcionado contra nenhum país ou alvo. A agência não forneceu detalhes sobre o tipo de míssil.
O míssil carregava uma ogiva de teste, e não uma ogiva nuclear. O lançamento em águas internacionais foi uma ação rara, embora os EUA também tenham realizado testes com seus próprios mísseis dessa forma.
A Xinhua publicou uma foto do míssil sem fornecer detalhes adicionais. Especialistas dizem que ele pode ser um JL-2 ou um JL-3, ambos mísseis balísticos lançados por submarinos, embora a maioria tenha afirmado que as imagens disponíveis não eram nítidas o suficiente para fazer a identificação.
O jornal estatal chinês Global Times afirmou que era “mais provável” que se tratasse de um míssil JL-3, com alcance superior a 10 mil quilômetros. O JL-2 tem um alcance menor.
O governo da Nova Zelândia afirmou que o míssil foi lançado em águas abrangidas pelo tratado da Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, violando o propósito do acordo.
A zona foi estabelecida pelo Tratado de Rarotonga, de 1986, que proíbe armas nucleares em toda a região. A China ratificou os protocolos em 1987, comprometendo-se a não testar armas nucleares dentro da zona nem ameaçar usá-las contra países signatários com territórios na região.
Teste ocorre em meio à crescente militarização da Ásia
O presidente da China, Xi Jinping, tornou a modernização do Exército de Libertação Popular uma das principais prioridades de seu governo.
A China já tem o maior exército permanente do mundo e a maior Marinha do planeta. Embora seu arsenal nuclear esteja atrás dos EUA e da Rússia, o país tem expandido ativamente seu estoque de ogivas nucleares. Também tem desenvolvido novos mísseis de maior alcance e drones avançados.
O orçamento de defesa da China, projetado para chegar a US$ 270 bilhões em 2026, cresceu cerca de 7% ao ano nos últimos quatro anos e permanece abaixo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No entanto, análises independentes sugerem que os gastos reais podem ser muito maiores. Por exemplo, o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês) estima que o valor total tenha sido de US$ 313,7 bilhões em 2024.
Grande parte das preocupações de segurança sobre a possibilidade de a China se envolver em uma guerra está concentrada em Taiwan, a ilha autogovernada que Pequim reivindica como seu território e sobre a qual não descarta o uso da força para colocá-la sob seu controle. A China também envia regularmente aviões de guerra e navios da Marinha para as águas ao redor da ilha, em ações que descreve como exercícios militares.
Em resposta à expansão militar e às atividades da China, países da região aumentaram seus próprios gastos com defesa, incluindo o Japão, que rompe com seu antigo limite de 1% do PIB para dobrar o orçamento militar para 2%. Enquanto isso, as Filipinas concordaram em permitir que os EUA ampliem sua presença militar no país, acrescentando acesso a mais quatro bases. Com informações do portal Estadão.