Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro nas urnas deve colocar frente a frente dois aliados dele na disputa à presidência do Senado no próximo ano

Uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas urnas deve colocar frente a frente dois aliados dele na disputa à presidência do Senado no próximo ano: os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). As conversas sobre a sucessão de Davi Alcolumbre (União-AP) no posto ganharam força nos bastidores após a semana passada com a aprovação de pautas prioritárias para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com a proximidade do fim das eleições.

Na nova composição da Casa, o PL terá uma bancada de 29 senadores, resultado das eleições para o Legislativo e da entrada do suplente do senador Sergio Moro (PL), Luis Felipe Cunha, no PL. Moro assume em janeiro o governo do Paraná.

Esse é um número considerável, mas não suficiente, de senadores necessários para uma legenda eleger um nome para o posto mais alto do Congresso, que é de 41 votos. Isso significa que o PL precisará compor com outros partidos na disputa da presidência do Senado.

Neste momento, Marinho, que também coordena a campanha de Flávio à Presidência da República, e Tereza Cristina se colocam como possíveis nomes para ocupar o posto. Enquanto a senadora já falou com aliados sobre ter a intenção de se tornar a primeira mulher presidente do Senado, mesmo que isso não se concretize em 2027, o líder da oposição na Casa diz publicamente que ainda é cedo para tratar do assunto e que o foco dele, agora, é a eleição do filho de Jair Bolsonaro para o Palácio do Planalto.

Se Flávio for eleito para o Executivo federal no domingo (25), a senadora pretende aguardar a definição do destino de Marinho antes de traçar os seus próximos passos. Por conta da proximidade dele com o filho mais velho de Bolsonaro, o líder da oposição também é cotado para assumir a Casa Civil. A parlamentar do PP é outra citada para este posto, mas aliados dela rechaçam a chance de isso se concretizar por ela não ser tão íntima do presidenciável.

Integrantes do PL, por sua vez, veem como improvável que a oposição escolha a líder do PP no Senado para disputar a chefia do Congresso, porque a veem com mais reservas para avançar com pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles dizem que ela tem um perfil mais conciliador e só teria assinado os pedidos de impeachment feitos contra Alexandre de Moraes, por exemplo, por saber que Alcolumbre não andaria com a tramitação deles.

A pessoas próximas, contudo, ela rebate essa ideia e diz que o Senado precisará apurar fatos que têm surgido sobre as supostas relações de magistrados da Corte com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em especial contra Moraes. Parlamentares próximos ainda destacam que o perfil negociador dela pode contribuir para a pacificação das tensões entre os Poderes da República.

Integrantes do grupo político tanto de Marinho quanto de Tereza lembram que, embora enfraquecido, o atual presidente do Senado não está morto na eleição para o comando da Casa no próximo ano. Neste primeiro turno, Alcolumbre sofreu sucessivas derrotas, já que aliados dele não se elegeram no Amapá e o presidente Lula terminou a disputa pelo Planalto em segundo lugar.

Aliados do amapaense relatam que, nos bastidores, ele conta com a rede de alianças que construiu na Casa desde que assumiu a presidência pela primeira vez, em 2019, para obter um quarto mandato no posto. Na visão desses senadores, Alcolumbre poderá contar com traições de integrantes de partidos do Centrão e, até mesmo, do próprio PL, para se manter no poder. Ele também acreditaria, de acordo com esses, interlocutores, que o poder de distribuir emendas parlamentares ainda faz a balança pender a seu favor.

Ao colocar em pauta e ter sucesso na articulação para proposta de emenda à Constituição (PEC) que acabou com a escala 6×1 de trabalho, na semana passada, Alcolumbre teria ligado a parlamentares do Centão e que tem como aliados para pedir apoio ao texto.

Ele também ligou para nomes que ainda vão assumir a cadeira no próximo ano, com o propósito de destacar que, com um eventual comando do Senado pelo PL, a Casa será colocada em segundo plano em detrimento de um projeto de poder do bolsonarismo.

Membros do Centrão, no entanto, veem como improvável uma reaproximação do presidente do Senado em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro ao Executivo. Se Lula vencer o pleito, por outro lado, o amapaense pode recuperar parte do fôlego que perdeu no primeiro turno. (Com informações do Valor Econômico)

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