Domingo, 01 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de fevereiro de 2026
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que o estoque de urânio enriquecido do Irã está em um túnel subterrâneo na instalação nuclear de Isfahan, uma das três que os Estados Unidos bombardearam em julho de 2025.
A informação foi revelada pela agência da ONU que regula a energia atômica no mundo em um novo relatório publicado na sexta-feira (27). Até o momento, a informação de onde o urânio enriquecido iraniano estava desde a Guerra de 12 dias, entre Israel e Irã em junho de 2025, era desconhecida.
À época, os EUA entraram na guerra e bombardearam as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan.
De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, a maior parte das quase 450 quilos de urânio enriquecido a 60% do Irã está enterrada em Isfahan. Há poucas evidências de que os iranianos estejam desenterrando os contêineres subterrâneos profundos nos quais o urânio está armazenado.
E sem esse estoque, que teria que ser enriquecido a 90% de pureza antes de poder ser fabricado em uma bomba, é quase impossível para os militares iranianos produzirem uma arma.
O Centro de Tecnologia e Pesquisa Nuclear de Isfahan é a maior complexo de instalações do programa nuclear iraniano.
O local fica na região central da província de Isfahan, cuja capital é a terceira maior cidade do país e uma das mais importanes culturalmente, tendo seu centro histórico tombado como patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus assessores afirmaram, ao apresentarem publicamente seus argumentos durante a semana para mais uma campanha militar do país contra o Irã por ele ter reiniciado seu programa nuclear e possuir material nuclear disponível suficiente para construir uma bomba em questão de dias e está desenvolvendo mísseis de longo alcance que em breve serão capazes de atingir os EUA.
Todas as três alegações são falsas ou não comprovadas. Segundo o jornal The New York Times, autoridades governamentais americanas e europeias, grupos internacionais de monitoramento de armas e relatórios de agências de inteligência dos EUA apresentam um quadro muito diferente da urgência da ameaça iraniana do que aquele apresentado pela Casa Branca nos últimos dias.
Segundo essas fontes, o Irã tenta desenterrar as instalações nucleares atingidas durante os ataques em junho por Israel e pelos Estados Unidos e retomou trabalhos em alguns locais há muito conhecidos pelas agências de espionagem americanas.
No entanto, autoridades não veem evidências de que a teocracia tenha feito esforços ativos para retomar o enriquecimento de urânio ou construir um mecanismo para detonar uma bomba.
Os estoques de urânio que o Irã já enriqueceu permanecem enterrados após os ataques do ano passado, tornando quase impossível para o Irã construir uma bomba “em questão de dias”.
O Irã possui um grande arsenal de mísseis balísticos de curto e médio alcance capazes de atingir Israel e bases militares americanas no Oriente Médio, mas as agências de inteligência dos EUA acreditam que o Irã provavelmente está a vários anos de distância de ter mísseis que possam atingir os Estados Unidos.
Exagero
Três autoridades americanas com acesso à inteligência atual sobre os programas de mísseis do Irã disseram que Trump exagerou a iminência da ameaça aos Estados Unidos. Uma autoridade disse que alguns analistas de inteligência estavam preocupados que altos assessores tenham inflado as ameaças ou que a inteligência estivesse sendo seletivamente apresentada ou distorcida ao ser enviada para cima.
Um relatório da Agência de Inteligência de Defesa do ano passado concluiu que o Irã não tinha mísseis balísticos capazes de atingir os Estados Unidos, e que poderia levar até uma década para ter até 60 mísseis balísticos intercontinentais. Mesmo para alcançar esse número de mísseis nesse prazo, a agência de inteligência concluiu, o Irã precisaria fazer um esforço determinado para desenvolver essa tecnologia. (Com informações da Folha de S. Paulo e O Globo)