Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Vantagem em eleição e empate na avaliação: os recados para Lula na pesquisa Quaest

A primeira pesquisa Quaest do ano eleitoral, divulgada na última quarta-feira (14), traz recados para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e para a oposição, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) ganhando força em cenários de 1º turno e Tarcísio de Freitas (Republicanos) mostrando ser competitivo em um eventual 2º turno contra o atual presidente.

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Lula

* Empate na avaliação do governo

A pesquisa mostra que a avaliação do presidente segue em empate técnico: 49% desaprovam o governo e 47% aprovam. O cenário é praticamente o mesmo desde a pesquisa de outubro.

Porém, quando se olha para o perfil dos eleitores, há movimentações importantes. Entre os que se declaram independentes, grupo que pode decidir a eleição, a desaprovação atingiu 53%, contra 38% de aprovação. Em outubro, o placar era de 48% a 46%.

* Lula à frente na corrida presidencial

Nas simulações para a eleição presidencial de outubro, Lula segue à frente de todos os candidatos da oposição. A Quaest testou cenários de 1º turno com mais sete nomes: Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Júnior (PSD), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil), Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (Democracia Cristã).

O presidente registra índices de intenção de voto que variam entre 35% e 40%, a depender do cenário.

No 2º turno, Lula venceria todos os adversários, com margens diferentes. A disputa contra Tarcísio seria a mais apertada: cinco pontos de diferença (44% a 39%). Em dezembro, eram 10 pontos (45% a 35%).

Em relação a Flávio Bolsonaro, a vantagem de Lula é de sete pontos (45% a 38%). Em dezembro, era de dez pontos (46% a 36%).

* Novo mandato

Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, Lula vence em todos os cenários de intenção de voto, mas não parece empolgar a maioria da população. De acordo com a pesquisa, a maioria (56%) continua achando que Lula não merece mais um mandato. Outros 40% acham que ele merece continuar no poder.

O que pode favorecer Lula é a repetição de uma eleição polarizada contra a família Bolsonaro, avalia Nunes.

Flávio

* Flávio se consolida na oposição

Flávio Bolsonaro aparece em seis dos sete cenários de 1º turno da pesquisa. Em todos, está em 2º lugar, atrás de Lula. Para Felipe Nunes, o senador se consolidou nessa posição.

No cenário que inclui ele e Tarcísio, Lula lidera com 36%, Flávio tem 23% e Tarcísio fica com 9%.

O senador chega a 32% num cenário em que Lula teria 39% e Romeu Zema, 5% — sem Tarcísio, Ratinho e Caiado. É a sua pontuação mais alta.

Flávio lançou a sua pré-candidatura no começo de dezembro com o apoio do pai, Jair Bolsonaro, que está preso por tentar um golpe de Estado.

* Direita não bolsonarista

Segundo Felipe Nunes, a pesquisa mostra que Flávio parece estar ganhando força entre os eleitores que se declaram de direita e não são bolsonaristas.

* 54% acham que a candidatura é para valer

A pesquisa mostra também que mais pessoas acreditam que a candidatura de Flávio é para valer. Em dezembro, 49% achavam que o senador vai até o fim na corrida presidencial. Agora, são 54%.

Para 34%, o real objetivo de Flávio seria usar a candidatura para negociar. Em dezembro, eram 38%.

* Jair Bolsonaro acertou ou errou?

Aumentou o percentual de brasileiros que consideram acertada a decisão de Bolsonaro de indicar o filho como candidato. Esse índice passou de 36% para 43%. Por outro lado, os que consideram a escolha um erro eram 54% e agora são 44%.

Apesar disso, a rejeição dele ainda é maior que as de todos os outros candidatos da oposição.

Tarcísio 

* Menor diferença para Lula no 2º turno

A pesquisa mostra que o governador de São Paulo é o candidato mais competitivo para enfrentar Lula no segundo turno. A diferença caiu à metade entre dezembro e janeiro.

Em relação à pesquisa anterior, de dezembro, Lula oscilou de 45% para 44%. Tarcísio foi de 35% para 39%.

Considerando apenas os eleitores independentes, Tarcísio tem 36% e Lula, 34%. Na direita não bolsonarista, o governador chegou a 81%. Na pesquisa de setembro, o apoio era de 66%.

* Nome não bolsonarista

O levantamento mostra que a maioria dos entrevistados (56%) acha que quem vencerá a eleição será Lula se o candidato for alguém da família Bolsonaro.

Por outro lado, se a disputa for entre Lula e alguém da oposição sem a família Bolsonaro, 45% acham que o presidente seria reeleito e 43% apostam no nome da oposição. É um cenário mais equilibrado.

Na visão do diretor da Quaest, o que pode ajudar Tarcísio e outros governadores da direita é a percepção pública de que, para ter mais chances de bater Lula, a oposição precisa lançar um nome que não seja bolsonarista.

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