Terça-feira, 25 de junho de 2024

Veja de que lado estão os países no conflito entre Israel e Hamas

O conflito entre Israel e o grupo extremista Hamas, que ganhou mais um capítulo sangrento com os recentes ataques, movimenta um complexo jogo de forças no xadrez político do Oriente Médio.

A nova guerra chega em um momento de redefinição da geopolítica mundial, motivada pelo conflito da Ucrânia.

Em um ataque inesperado no sábado (7) a partir da Faixa de Gaza, o Hamas lançou centenas de foguetes contra Israel e invadiu o seu território, matando e sequestrando civis e soldados israelenses.

Sob a justificativa de se vingar contra a ocupação e bloqueios de Israel, o grupo extremista levou o histórico conflito a um patamar sem precedentes, tirando proveito da crise doméstica em Israel.

Veja os principais atores do conflito e quem apoia quem diante do novo xadrez geopolítico:

Rússia

Um dos principais atores mundiais atual, e em meio à sua própria guerra, a Rússia não havia condenado diretamente os ataques do Hamas ou a contraofensiva israelense até a última atualização desta reportagem.

Mas a maior adversária atual dos Estados Unidos, aliado de Israel, aproveitou para espetar Washington. Nesta segunda, o Kremlin disse temer o envolvimento de “terceiros países” no conflito do Oriente Médio e estar “preocupado com a aproximação de navios de guerra dos Estados Unidos de Israel”.

Também favorável à criação de um Estado palestino, o Kremlin mantém relações com o Hamas, embora também o faça com Israel. E não considera o grupo como terrorista.

Moscou é também favorável à criação de um Estado palestino nos moldes do plano original do Reino Unido, de 1948.

Ucrânia

Já Kiev jogou claramente do lado do tabuleiro geopolítico que lhe corresponde atualmente.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, outro forte aliado dos EUA e de Israel, condenou o que chamou de ataque terrorista e disse que Israel tem todo o direito de se defender.

Egito

É um dos países com maior importância para a relação entre Israel e Gaza, por conta de sua posição estratégica. O Egito faz fronteira com o sul da Faixa de Gaza e controla quem atravessa as fronteiras.

O Egito tem um histórico de relações estremecidas com Israel, mas foi o primeiro do mundo árabe a assinar um acordo de paz com Israel, na década de 1970. Em 2021, líderes dos dois países se reuniram pela primeira vez em 40 anos.

E, nessa segunda-feira (9), o governo egípcio condenou os ataques e disse esperar que “a voz da razão prevaleça”.

Arábia Saudita

Aliada histórica da causa palestina, o governo saudita disse nesta segunda que “continuará a apoiar os palestinos e não poupará esforços para restaurar a calma e a estabilidade nos Territórios Palestinos”.

Só que, recentemente, a Arábia Saudita tem ensaiado uma aproximação com Israel. Com intermediação dos Estados Unidos, o governo do país, uma monarquia absoluta e islâmica, vinha dialogando com Tel Aviv para a normalização da relação entre os dois países.

O ataque do Hamas e a posterior guerra declarada por Israel deve paralisar esse diálogo.

Catar

Outro país árabe estratégico para os dois lados, o Catar tenta assumir o papel de mediador.

O governo do país também condenou os ataques, mas disse nesta segunda-feira estar mediando uma tentativa de negociação para a libertação de mulheres e crianças dos dois lados.

Irã

Um dos principais adversários de Israel no atual quadro geopolítico, o Irã não condenou os ataques do Hamas e, no domingo (8), afirmou que “apoia a legítima defesa da nação palestina”, em um comunicado assinado pelo presidente do país, Ebrahim Raisi.

Raisi, que é subordinado ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei, já que o país é uma teocracia, disse ainda que “o regime sionista e os seus apoiadores são responsáveis ​​pela instabilidade na região”.

Há meses, o governo de Israel vem acusando Teerã de estar financiando o Hamas. Em uma megaoperação em julho na Cisjordânia, a maior na região e que deixou 12 mortos, o governo israelense alegou estar em busca de armas fornecidas pelo Irã e escondidas em bunkers no campo de refugiados local.

O Irã é favorável à criação de um Estado palestino nos moldes do plano original de 1948.

China

Outro grande ator no novo xadrez geopolítico e alinhado à Rússia no conflito da Ucrânia, a China também vem buscando não se envolver diretamente com nenhuma das partes.

Nessa segunda, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês disse que “se opõe à violência e aos ataques”, sem especificar qual. “O caminho certo a seguir é implementar uma solução de dois Estados”, disse o porta-voz da pasta, Mao Ning.

Mas Tel Aviv não gostou da posição “em cima do muro” de um país “que vê como seu amigo”, nas palavras do embaixador de Israel em Pequm, Yuval Waks.

Waks exigiu do “uma condenação mais forte” ao Hamas por parte do governo chinês.

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