Sábado, 04 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de julho de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, apresentou ao governo dos Estados Unidos uma manifestação tentando convencer a gestão do presidente Donald Trump a aguardar as eleições brasileiras de outubro antes de decidir se impõe novas tarifas contra produtos importados do Brasil. Na carta, ele pede que a possível punição seja suspensa por ao menos 180 dias.
No documento, ele argumenta que um novo tarifaço acabaria fortalecendo a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem classificado as retaliações americanas como ataques à soberania nacional.
Flávio promete, caso eleito, “nomear imediatamente um negociador para conduzir as negociações de boa-fé” e indica ações do seu governo para resolver as acusações de comércio desleal contra o Brasil.
Entre as medidas prometidas estão não conectar o Pix a meios de pagamento instantâneos internacionais não ocidentais, desonerar o setor de cartões de crédito (beneficiando grandes empresas americanas) e buscar acordos bilaterais de comércio com os EUA, libertando o Brasil das “amarras do Mercosul”.
Ele também diz que, caso a atual oposição ganhe mais cadeiras no Senado em outubro, será possível cassar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que têm tomado decisões contra plataformas americanas de redes sociais, uma das questões que irritam a gestão Trump – e que o campo bolsonarista chama de censura.
— Entenda a seguir o que Flávio prometeu ao governo Trump:
Pix
A gestão Trump diz que o governo brasileiro “tem prejudicado injustamente as empresas americanas” ao favorecer o Pix e acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo “como regulador e proprietário/operador” do meio de pagamento instantâneo.
Além disso, há críticas pelo fato de o Banco Central exigir que o Pix seja ofertado sem taxas aos clientes. Segundo a conclusão da investigação, as autoridades brasileiras obrigam empresas americanas a promover o sistema brasileiro sem compensações às instituições americanas.
Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro defende o Pix como uma das principais inovações do governo de seu pai, Jair Bolsonaro, embora o então presidente tenha indicado não conhecer a ferramenta quando ela foi implementada, ao ser questionado por apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.
A ferramenta começou a ser desenvolvida no governo anterior, de Michel Temer, por técnicos do Banco Central e foi lançada em 2020.
O senador também rebate críticas sobre possível conflito de interesses ao comparar o Pix ao sistema norte-americano FedNow, sustentando que ambos cumprem funções semelhantes como plataformas operadas por bancos centrais.
O parlamentar também argumenta que o crescimento do Pix não prejudica empresas dos Estados Unidos no Brasil, já que ampliou a inclusão financeira e o mercado consumidor, beneficiando companhias norte-americanas de comércio eletrônico, tecnologia e fintech.
Redes sociais
Segundo o governo americano, “tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos – em alguns casos, com alcance global –, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens”.
O documento com a conclusão da investigação do USTR fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site.
O pré-candidato do PL concorda, em sua manifestação, com as queixas americanas sobre atuação de instituições brasileiras que interferem no funcionamento das redes sociais, criticando decisões do STF e do governo Lula nessa área. O campo bolsonarista tem se posicionado contra o endurecimento da regulamentação e das obrigações dessas empresas e se coloca como vítima de decisões do Judiciário que, nos últimos anos, tem derrubado postagens e contas que envolveriam conteúdo criminoso.
Flávio Bolsonaro argumenta, porém, que a imposição de tarifas contra o Brasil não vai alterar esse cenário. Ele diz que a solução está no Legislativo e que ministros do STF poderão ser cassados caso a oposição a Lula ganhe espaço no Congresso após as eleições de outubro.
Mercosul
O USTR acusa o Brasil de privilegiar alguns países no comércio internacional.
Ao comentar esse tópico, Flávio Bolsonaro prometeu negociar condições melhores paras a trocas entre Brasil e EUA. Ele disse que vai “buscar de forma mais agressiva formas de estabelecer acordos bilaterais que promovam comércio e investimento entre ambos os países”.
“O Brasil busca maneiras de se desvincular das amarras do Mercosul que impediram administrações anteriores de negociar com os Estados Unidos. O caminho adotado pela Argentina de Javier Milei oferece um precedente útil que o autor afirma estar disposto a examinar e seguir”, disse. (Com informações da BBC Brasil)